VERA NÃO É PAGU. É APENAS UMA GOLPISTA

O jornalismo é tão corporativo quanto tantas outras profissões historicamente corporativas. Há pouco, uma claque articulada em torno de Vera Magalhães, atacada por Bolsonaro e pelos filhos, passou do ponto e quase elevou a colunista do Estadão à condição de heroína das liberdades.

Mais um pouco a Vera seria equiparada à valente jornalista, poeta e artista libertária Patrícia Galvão, da primeira metade do século 20. Seria a Pagu do século 21.

Mas Vera nunca será uma Pagu. Vera foi um dos muitos jornalistas golpistas do agosto de 2016. Vera é um Alexandre Garcia de saias.

Que se defenda sempre o jornalismo dos ataques de um arremedo de ditador. Mas que a resistência não seja transformada no endeusamento de uma jornalista reaça, quase adotada como musa das esquerdas.

Vera Magalhães é o que é, uma jornalista muitas vezes fofinha que sempre defendeu os pontos de vista do ultraconservadorismo paulista. Como faz agora atacando Lula pelo Twitter, ao rebater uma sugestão do jornalista Leonardo Attuch, editor do Brasil 247, para que o ex-presidente fosse entrevistado no Roda Viva, que ela comanda.

Vera vem com a conversa da polarização, como se existisse outro contraponto possível ao bolsonarismo que não fosse Lula. Hoje não há. Até seria bom se existisse.

Vera acha, mas não diz, que Doria Júnior seria o contraponto a Bolsonaro. O fato de Doria ter feito média com Lula, agradecendo um reconhecimento do ex-presidente, incomodou os tucanos.

Golpistas como Vera, claramente engajada ao projeto tucano paulista, não concordam com esse tipo de concessão.

A condenação de um gesto de cordialidade aponta para a farsa do jornalismo de direita, que corteja os métodos da extrema direita sem dissimulações. Para gente da turma de Vera, Doria deveria ter sido grosseiro e esnobado Lula.

A polêmica em torno da jornalista só fortalece sua posição num jornal há muito tempo sem expressão, o mais reacionário e decadente dos jornalões brasileiros.

Até meses atrás, antes dos ataques de Bolsonaro, ninguém mais se lembrava do Estadão e a maioria nem sabia quem era Vera Magalhães.

(O centro acadêmico dos estudantes de jornalismo da Universidade Federal de Pelotas tem o nome de Patrícia Galvão. Eu já tive a honra de participar de atividades com os estudantes da UFPel).

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