VOTAR COM ORGULHO GAY

Uma parada gay despolitizada por ser uma parada gay e apenas isso, o que já é bom, mas não é o bastante. Não precisa ser alguém com lugar de fala e ser gay, ou lésbica ou trans para saber que uma grande festa contra alguma coisa será uma grande festa, se for apenas uma festa.

A Parada do Orgulho Gay deste ano em São Paulo tem um slogan político “Vote com Orgulho – Por uma Política que Representa”. Passa a ser mais do que uma festa alegre e desafiadora de reacionarismos.

Faço o registro porque escrevi ontem aqui sobre as dificuldades dos pioneiros em organizar a parada nos anos 90.

E publiquei um link para reportagem do jornal Extra Classe sobre o avanço das bancadas homofóbicas no Congresso, enquanto não há na mesma medida um aumento da representação LGBTI+.

Parece que finalmente a parada assume que sem política não há combate à violência, ao preconceito e à ação organizada das bancadas ditas moralistas e ‘religiosas’ no Congresso, em articulação com o governo fascista que odeia gays.

Essas bancadas são as mesmas da bala, do boi, da Bíblia, dos milicianos, dos garimpeiros, dos grileiros e assemelhados.

A parada se politiza, no sentido de aceitar o jogo como ele é, porque fora dessa arena quase nada avança. Fora da política, por mais que essa seja depreciada, não há muito o que fazer.

Leio na Folha que o tema desse ano é uma referência óbvia à eleição, mas com uma ressalva. A presidente da organização da Parada, Claudia Regina dos Santos Garcia, disse ao jornal que não haverá nenhuma manifestação partidária da organização durante o evento.

“Não vou puxar nem ‘Lula Lá’ nem ‘Fora Bolsonaro'”, disse Regina. “Somos um movimento suprapartidário. Mas defenderemos um voto que seja representativo dos nossos direitos, um voto progressista,
tanto no Executivo como no parlamento”.

Claudia não precisava ter dito que não vai puxar gritos de guerra. Mas poderia ter dito que os gritos de guerra estariam liberados na festa. Dizer que não vai gritar por Lula ou contra Bolsonaro não é a mesma coisa que afirmar que todos estarão livres para gritar o que quiserem.

A declaração da presidente da festa traz boa parte da carga de restrições que a direita e a extrema direita impõem a esse tipo de manifestação. É a carga do ‘respeito’ a uma aparente neutralidade.

Não há escolha difícil ou complicada entre Lula e Bolsonaro, muito menos para gays perseguidos por bolsonaristas como nunca foram perseguidos antes.

Os participantes da Parada Gay sabem muito bem disso. Quem acha que não sabe está apenas reafirmando o jogo que interessa à extrema direita. Tem gay do Bolsonaro? Tem, e tem muito.

Assim como tem negro racista dentro do governo, atuando na área que deveria combater o racismo.

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