Zero Hora se livrou do colunista preferido dos fascistas?
Fui conferir uma informação que recebi e descobri é isso mesmo: é de 28 de março a última coluna de JR Guzzo publicada em Zero Hora.
O maior jornal do sul do país pode ter deixado de publicar a coluna do comentarista político preferido do fascismo, distribuída pelo Estadão. Há outros nesse nicho, mas não no mesmo nível.
Já me provocaram com uma dúvida: mas o jornal não teve figuras semelhantes em outras épocas? Semelhantes, talvez. Iguais a JR Guzzo, nunca.
Durante 27 anos, convivi em Zero Hora com todo tipo de gente, que existe em qualquer lugar, em lojas, indústrias, padarias, escritórios, açougues, relojoarias, shoppings e inclusive jornais.
Convivi com João Souza, Luiz Pilla Vares, Mauro Toralles, Mariana Kalil, Olyr Zavaschi, Flavio Schubert, Maria Isabel Hammes, Eunice Jaques, João Aveline, Mauro Vieira, Nina de Oliveira, Júlio Mariani, David Coimbra, Paulo Sant’Anna, Mário Brasil, Ricardo Chaves. Todos já nos deixaram.
Convivi com jornalistas que marcaram suas vidas e seus trabalhos com dimensão humanista, com todas as suas imperfeições.
Alguns com os quais discordava e muito. E convivi com jornalistas assumidamente de direita, alguns ultraconservadores, mas nenhum com a índole de JR Guzzo. Asseguro: nenhum.
Por 27 anos, dentro de um jornal conservador, como são 99% dos jornais no mundo todo, é claro que dividi espaço com reacionários, com antilulistas, com antipetistas, o que é do jogo. Mas não com uma figura do porte de JR Guzzo.
Afirmo, asseguro, reafirmo: nunca dividi o mesmo espaço de trabalho com um indivíduo com esse perfl. O criador e um dos diretores do site Oeste, da extrema direita brasileira, escrevia em Zero Hora. O passador de pano para o 8 de janeiro. O defensor de Bolsonaro e dos militares golpistas.
Tentam compará-lo a Olavo de Carvalho, o que é um acinte com o talento do ídolo morto do fascismo brasileiro. Olavo era guru da extrema direita, um formulador e disseminador de ideias.
JR Guzzo é apenas um serviçal do baixo bolsonarismo (sim, existe o alto bolsonarismo). Zero Hora deve publicar uma nota, se é que decidiu dispensar suas colunas.
É triste que um jornal por onde passaram alguns dos grandes nomes do jornalismo gaúcho tenha vinculado sua imagem, quando vive seus últimos momentos como veículo impresso, ao fascismo golpista exacerbado e despudorado.

O que aparece no jornal é que o distinto está de licença médica. Então, deve ser eufemismo. Constantino ocupava o espaço antes do guzzo. Certamente a rbs colocará outro fascista no lugar.
Os fascistas não têm colunistas prediletos. Fascistas não lêem.
Guzzo fazia sucesso na Veja, quando a Veja batia uma tabelinha com a Folha e a TV Globo para eleger presidentes, derrubar uns e prender outros.
Toda essa gente era tucana, mas não era fascista. Note que o Reinaldo Azevedo, a Fernanda Torres (que era anti-petista), a Eliane Catanhede, o pessoalzinho cheiroso da Globo News (exceto o Tralli), todos pulam para o barco da “frente ampla” quando a pobretada faz o movimento direitista se fascistizar.
O tucanato tinha horror a pobres, pardos, crentes pentecostais e taxistas – esse pessoal que agora segue o Bolsonaro e ia comer um churrasco nos quartéis.
Eu tinha um conhecido, da turma do Dória, que disse que se pudesse torturaria a Dilma se pedissem. Pois bem, quando esse cara começa a perceber que no movimento da direita tucana começa a entrar um pessoalzinho que ele repelia (pobres de direita, crentes, etc) e que uma certa elite cheirosinha está indo para a esquerda, imediatamente ele vira uma espécie de “petista histórico”, defendendo a gestão Haddad na cidade de SP e fazendo campanha para o Lula contra o Bolsonaro.
Enfim, Guzzo perdeu seus antigos leitores tucanos, porque o tucanato acabou e porque seu novo público, fascista, não sabe ler.