A perseguição dos Camaros

Uma breve história do verão. Há três anos, em Balneário Camboriú, eu fazia a manobra para sair com o carro que estava estacionado na Avenida Atlântica, quando um Camaro vermelho surgiu ao meu lado e deu uma freada.

Vi que o motorista usava um correntão no pescoço, como se fosse uma caricatura de desenho animado, e tinha na carona uma morena adequada a um Camaro, E então ele gritou, com forte sotaque de Sorocaba, fazendo sinal com uma mão agitada como a mão do jaburu:

– Se batesse, você teria que me dar o seu carrinho, meu filho.

O meu carrinho era um flamante Fox prata. Fiquei constrangido e sem ter o que dizer. Pensei: por que não fui para o Imbé? E ser chamado de meu filho?

Este ano, fui atravessar a rua a pé, arrastando minhas havaianas de mais de 10 anos, na mesma avenida, quando de repente vi um Camaro amarelo parado na faixa de segurança. O Camaro roncou seus seis motores e insinuou que passaria por cima de mim. Eu me assustei e o motorista riu com o prazer dos sádicos.

Tenho quase certeza de que era o mesmo motorista do Camaro vermelho de três anos atrás, desta vez sem a moça ao lado.

Tenho problemas com Camaros em Balneário Camboriú. Balneário tem mais Camaros do que prédios de 60 andares. Em outras cidades, não tenho, até porque é só lá que vejo Camaros nas ruas.

Assim como só na Aberta dos Morros vejo aqueles antigos Monzas voando meio de lado na Juca Batista como se desejassem ser um Camaro.

Mas os Monzas não me incomodam. Tenho uma boa relação com todos os carros, menos com os Camaros de Balneário Camboriú. Parece algo sem sentido, mas não sei se alguém tem outras histórias assim, sobre a presença dos Camaros em suas vidas.