Novinhos

Deve ser dureza chegar ao ponto de aderir à claque da nova Janaína Paschoal, do novo Reinaldo Azevedo e da nova Rachel sheherazade.
Só falta surgir o novo Diogo Mainardi. Os golpistas se reciclam e se reinventam, e parte da esquerda entra em êxtase. É o darwinismo da direita. Que tempos.

A IMPRENSA DAS MAQUININHAS E AS ESQUERDAS

Que jornalismo que nada. A Folha será daqui a pouco muito mais negociante de intermediação de operações com dinheiro do que produtora de informação.

A Folha é dona do PagSeguro, das maquininhas de cartão, o que mistura os negócios da família Frias com o jornalismo e outros interesses.

E agora a Globo vai entrar na briga, não pela informação, mas também por uma fatia desse mercado. Os Marinho se associaram à Stone, outro grupo de maquininhas, do multibilionário Warren Buffett.

A própria Globo está noticiando a parceria. O mercado da notícia e do entretenimento no Brasil passa a ser, para tradicionais corporações de mídia, o mercado de outras coisas.

Ampliou-se a crise da atividade e do produto que vendem. E estão morrendo (Otávio Frias Filho foi a perda mais recente) ou abandonando o negócio os representantes da última geração das famílias da grande imprensa conservadora dita liberal que acreditavam em jornalismo.

O que fica claro, nessa confusão de interesses, é que o jornalismo brasileiro pede outro formato, com outros protagonistas. Alguns já estão aí, marcando posição e construindo reputações, mas ainda é pouco.

A esquerda brasileira vê a direita dita liberal enfraquecer o próprio negócio da comunicação, fazendo a opção pela intermediação de operações financeiras, mas não há nenhum grande projeto de perfil progressista nessa área. O que há é fragmentação.

A esquerda, que ficou 13 anos no poder, perdeu a eleição achando que perdera a guerra do WhatsApp para o Carluxo. O que a esquerda perdeu foi a guerra da informação. A esquerda abandonou inclusive a classe média à própria sorte.

A abstinência de informação (uma informação de esquerda que havia sido farta e vigorosa durante a ditadura) ajudou na condução ao bolsonarismo e à multiplicação de ignorâncias.

Mas ainda há muita gente nas esquerdas achando que pode vencer a guerra com mensagens que se contraponham ao WhatsApp e ao Twitter do filho de Bolsonaro.

A esquerda brasileira também foi hipnotizada pelo bolsonarismo e arrastada para uma batalha de torpedos, ditados e palavras de ordem que nunca irá vencer. Porque a arma é apropriada à munição deles, e não às armas das esquerdas.

A guerra pela informação não é a guerra das mensagens proposta pela extrema direita. A guerra de mensagens pode ser parte de táticas, ajustadas às circunstâncias. A grande guerra estratégica é a da comunicação, e esta a esquerda abandonou há muito tempo.

(Por favor, peço mais uma vez que não apontem exceções. Não estou falando de exceções, nem de guerrilha de informação de blogs e sites, mas de comunicação pesada, como há na Argentina e no Uruguai, inclusive com TV de esquerda. Vamos tratar da realidade, não da exceção que apenas a explica e justifica.)

O OURO DE TOLO DE BOLSONARO

As Serras Peladas que Bolsonaro imagina para os índios, como ele diz na entrevista ao Globo, é na verdade o grande projeto para o país todo. Bolsonaro quer a liberação total da mineração na Amazônia, com a promessa de que os índios vão ficar ricos com o ouro que está sob seus pés. E quem quiser poderá ter uma arma para defender sua fortuna dourada.

Para os brancos, o bolsonarismo promete outras Serras Peladas desde a destruição dos direitos trabalhistas e da quase aprovada reforma da Previdência.

O empreendedorismo neopentecostal, que sustenta boa parte do projeto de Bolsonaro, conduz a essa ideia de que todos serão donos do ouro que forem capazes de garimpar.

Bolsonaro é o alquimista da nova direita brasileira, e não só da extremada. Da direita liberal mesmo. O ouro de tolo que ele promete já hipnotizou a maioria que o elegeu. E continua alienando pelo menos um terço da população. A que acredita no que ele diz, a que finge acreditar para manipular indigências e a que nada sabe do que está acontecendo.

Enquanto os índios se divertem, o filho que será embaixador aparece hoje nas capas de todos os jornais com o verdadeiro ouro. Eduardo Bolsonaro, entre outras atividades, dedica-se agora a fazer lobby para a Papper Excellence, da Indonésia, que está numa disputa bilionária com os mafiosos da JBS.

Eduardo aparece nos jornais, fantasiado com camisa floral típica, ao lado do dono do grupo, Jackson Widjjaja, com o cheque simbólico de R$ 31 bilhões do que virão a ser os investimentos da Paper Excellence na área de celulose no Brasil.

O filho de Bolsonaro tenta se comportar como os príncipes árabes, mas a imagem com o cheque e a fantasia com a camisa colorida é de envergonhar os filhos de mafiosos sicilianos.

O pai promete ouro para os súditos, e o filho sai atrás da verdadeira mina, intrometendo-se numa disputa como garantidor de que Bolsonaro tem um lado.

Os Bolsonaros perderam o controle da própria empáfia, e aí pode estar a ruína da família, não hoje, nem amanhã, mas em algum momento em que o país se der conta de que o ouro é para poucos e talvez só para a família e os amigos.

Eduardo deu um salto e tanto. Das milícias de Queiroz e parceiros do Rio nas Pedras, evoluiu tanto que se infiltrou agora nas rodas dos grandes negócios das corporações mundiais.

Latifundiários, desmatadores e grileiros da Amazônia e agora também os predadores internacionais, onde estiverem, serão sócios do bolsonarismo.

E os índios? Os índios da Amazônia e os brancos das cidades vão fuçar na terra em busca do que pode ser encontrado. Talvez abram a própria cova para a matança que se anuncia com as Serras Peladas do bolsonarismo.

A Globo caiu fora

Para quem ainda não percebeu com quem está a grande imprensa. A Folha bate forte e sugere em editorial que Bolsonaro está a caminho do impeachment.
E o Globo faz o quê? Traz de manchete uma entrevista exclusiva com Bolsonaro, que manda esse recado: me aguentem porque eu sou assim mesmo.
A Globo, colocada de joelhos por Bolsonaro, decidiu fazer assessoria de imprensa e amplificar a corneta do bolsonarismo.
Está explicado o almoço da semana passada de Fabio Wajngarten, secretário de Comunicação de Bolsonaro, com João Roberto Marinho.
A Globo desistiu do caso Queiroz e dos laranjas de Flavio Bolsonaro e do mandante do assassinato de Marielle.
Em editorial, diz que Bolsonaro ainda não assumiu a presidência e tenta parecer crítica.
Mas é jogo de cena. Da grande imprensa, a Folha ficará sozinha nessa briga..

Gerundiando

Sergio Moro pensa que ainda continua ministro só porque Bolsonaro finge que o chefe do Dallagnol continua sendo ministro.
Mas nem Moro tem condições de continuar ministro, assim como Bolsonaro descobrirá logo que se tornará politicamente incapaz de se manter como presidente.
Os dois pensam que ainda são o que estão deixando de ser. Moro e Bolsonaro ainda estão no gerúndio.

ATÉ TRANSBORDAR

O exibicionismo de Bolsonaro como amigo íntimo de torturadores e assassinos da ditadura pode ter sido seu maior erro até aqui.
Bolsonaro poderia se exibir, como se exibiu muito quando da aceitação do pedido de impeachment de Dilma, quando declarou amor eterno a Brilhante Ustra, mas como deputado. Ele ainda não se deu conta de que não pode mais viver de blefes e ameaças.
Antigos aliados do ‘centro’ estão abandonando o apoio envergonhado que davam ao aprendiz de ditador. Saltam fora e avisam que não dá mais pra conviver com as asneiras e a agressividade do homem.
A lixeira das redes sociais está lotada de fotos de cúmplices de Bolsonaro que se afastam do amigo de Brilhante Ustra e deletam as provas de que se adoravam.
Bolsonaro ficará agarrado aos filhos, a Olavo de Carvalho, a Merval Pereira e a Diogo Mainardi. E talvez à Globo.
Não sobrará mais nada para Bolsonaro, que acaba criando constrangimentos também para os militares que estão no governo e mais ainda para os que estão fora do poder.
Bolsonaro mexeu com um trauma que os mais habilidosos políticos da direita preferem esquecer, porque não ganham nada com isso. Mas Bolsonaro acha que ganha.
Amanhã tem mais, até transbordar.

A IRMÃ DE FERNANDO SANTA CRUZ

O Brasil atormentando pelo bolsonarismo merecia há muito tempo, em meio a tantas notícias ruins, conhecer Felipe Santa Cruz. A OAB, que se acovardou diante do golpe, tem hoje o comando de um bravo, herdeiro da bravura do pai.
Vi há pouco, no site Tutaméia, a entrevista da irmã de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, o pai de Felipe, preso e assassinado pela ditadura. A professora Rosalina Santa Cruz fala do irmão, da ditadura e dos ataques de Bolsonaro. Grande entrevista. O link está na área de comentários.

https://l.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Ftutameia.jor.br%2Frosalina-santa-cruz-pede-o-impeachment-de-bolsonaro%2F%3Ffbclid%3DIwAR0sweUauY-P2dI7-McZ9e5q4w7LYu_E_Qq7O9oRia7kC-5B1O_maxrLX0I&h=AT19FeJ1CC89o7ZjqvHWFoBO4fQyYVvUmiPupMUeW0xHz4DQiiB_ZGbTiSneO-RtAmpnBCy0tPM_lLZYyoKNeU8Jv6JPNM8f5nB8WtkImWjJlutc05HpcuveAtnMywY9QCA

Bolsonaro debocha da apatia geral

As falas de Bolsonaro reforçam a fidelidade de um terço da população e desnorteiam e imobilizam os outros dois terços. A inércia da maioria que deveria resistir é mais assustadora do que a insanidade do governante.

https://www.extraclasse.org.br/opiniao/2019/07/bolsonaro-debocha-da-apatia-geral/?fbclid=IwAR34-xLyqoQVSeye8EH5rUWfwzRe3MuDtvy6ftzA83wbmPfjw_YB4yG97FQ