A reportagem que não existe

 

Os grandes prêmios da imprensa são os que reconhecem a reportagem como a alma do jornalismo. Carlos Wagner, o mais premiado jornalista gaúcho, fez um puxado em casa para guardar mais de 200 troféus como repórter.

Nilson Mariano tem um acervo do mesmo tamanho. Cid Martins é o repórter mais premiado do rádio brasileiro. Todos são re-pór-te-res. Vão a campo, correm riscos, não recebem nada de mão beijada.

Mas o que o repórter Marcelo Cosme tem a ver com este prêmio para uma gravação que o juiz Sergio Moro mandou para a Globo, ilegalmente, com o grampo da conversa de Lula com Dilma?

Qual é a conexão de um repórter com o conluio em que um juiz, na tentativa de incriminar Lula antes do tempo, presenteia a direção da TV com uma gravação ilegal?

Onde está a atuação do repórter nesse caso reconhecido como “furo de reportagem” por um festival de TV de Montecarlo? Que esforço de reportagem existe por trás desse prêmio? Ou pela frente mesmo…

Isso não é reportagem. É assessoria de imprensa para um juiz e uma ação que o Supremo considerou ilegal.

Mas o jornalismo brasileiro da cobertura política virou isso mesmo: é apenas divulgador de delações, grampos e vazamentos seletivos. Montecarlo reconhece.