Extrema direita exalta Heleno e joga Mauro Cid na sarjeta

O honrado general Heleno, segundo Flavio Bolsonaro, já foi colega do honrado coronel Mauro Cid no governo. Mas Heleno continua honrado e Mauro Cid foi reduzido pelo general a um auxiliar insignificante e incapaz de saber qualquer coisa que leve aos idealizadores do golpe.

Heleno disse hoje na CPI do Golpe que Cid, como ajudante de ordens, não participava de reuniões comandadas por Bolsonaro. Mostraram uma foto em que ele participa. O general deu a entender que, mesmo participando, o militar era incapaz de ouvir e testemunhar o que presenciava.

Mauro Cid já disse na delação que participava das reuniões. Heleno deixou na CPI a imagem de um Cid mentiroso.

A tática previsível foi a de desqualificar o ajudante. O coronel disse à Polícia Federal que pode delatar Bolsonaro e os militares, por ter presenciado conversas sobre o golpe. O que ficou do depoimento de Heleno é que o coronel está inventando histórias e fantasiando.

Em julho, quando Cid depôs nessa mesma CPI, onde apenas leu um texto que levou pronto, Eduardo Bolsonaro disse diante coronel:

“Muito me honra falar que sou seu amigo. Não vou chegar, virar as costas e tratar como leproso, como a esquerda quer. Vossa Excelência é vítima de todo esse processo”.

Nessa terça-feira, ninguém defendeu Cid da desqualificação de Heleno, um ajudante, segundo ele, “cujo limite de atuação era muito estreito” e que trocava mensagens com gente desimportante, “que não significavam absolutamente nada”.

Mauro Cid foi abandonado, para que Heleno fosse protegido. Mas o deputado Rogério Correa (PT-MG) alertou o general:

– A delação dele (Cid) é como testemunha. O senhor Mauro Cid participava das reuniões e, se não falava, ele escutava. Ele vai delatar inclusive o senhor.

Heleno riu, a turma bolsonarista deu gargalhadas. Ninguém confia nos efeitos da delação de Mauro Cid. Há a certeza de que o ex-ajudante vai pagar pelos crimes das joias, do cartão de vacina e da intermediação das conversas sobre o golpe.

Em pouco tempo, mudou tudo. Em julho, quando foi depor, Mauro Cid teve recepção calorosa de Flavio Bolsonaro, que foi cumprimentá-lo na mesa, antes do início da sessão. Nessa terça-feira, o senador não citou o ajudante do pai uma única vez.

Os bolsonaristas que falaram no interrogatório de Heleno (incluindo Sergio Moro) não citaram Mauro Cid. O coronel foi jogado na sarjeta como traidor.

E poderá, se não conseguir boas provas do que conta, ter que assumir sozinho os desmandos que presenciou e ainda ser processado por calúnia e injúria pelos golpistas que o tratavam como mandalete do golpe.

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GEISEL
A senadora Ana Paula Lobato (PSB/Maranhão), que assumiu a vaga no Congresso como suplente de Flavio Dino no Senado, cometeu uma das gafes do ano.

Referiu-se ao general Ernesto Geisel, ao ler um texto, pronunciando o nome do ditador como se lê, com som de ‘e’ no ‘Ge’, quando se sabe que o som é de ‘a’, do alemão ‘Gaisel’.

Não poderia ter errado. É uma jovem, mas não tem perdão. Primeiro porque o que ela estava tentando fazer era conectar Heleno à ditadura, como ajudante de ordens de Silvio Frota, então ministro do Exército de Geisel.

Se a senadora está usando a história como argumento, tem que saber do que fala. Se não sabe nem o nome do ditador, saberá o que mais do que estava tratando? Não deve saber nada. Não soube ler o que foi escrito por um assessor.

A desinformação da senadora acabou por destruir o próprio raciocínio antiditadura, até porque alguém a alertou, logo no primeiro erro, ela se corrigiu em seguida, mas voltou a errar pelo menos mais duas vezes.

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DOIS TEMPOS
As sessões da CPI do Golpe sempre têm dois momentos, como aconteceu hoje com o depoimento de Augusto Heleno. No primeiro tempo, pela manhã e até o início da tarde, as esquerdas tomam conta com interrogatórios fortes.

Depois, aí pelo meio da tarde, depois de fazer o general cair em contradição várias vezes e passar a imagem de alguém que não sabia de nada no governo, esse pessoal foi embora.

A extrema direita se adonou da CPI, e aí foi um desastre. O fascismo é precário. As intervenções são constrangedoras. Dá saudade do tempo do Onyx Lorenzoni. Mas ninguém sabe dizer onde anda Onyx.

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