O ‘ó’ e o ‘oi’

Eu sou do tempo em que se dizia ó quando se encontrava um conhecido na rua. Ó, tudo bem? Alguns até respondiam: Tudo bem, comendo pão de ló com a tua vó.

Minha infância no Rosário foi ouvindo ó no Ginásio Plácido de Castro e por toda parte. Depois é que comecei a ouvir oi, mas aí eu já morava no Alegrete.

Alguém levou para a Fronteira o oi de Porto Alegre ou do Rio. Aí pelo começo dos anos 70. Foi logo um sucesso no quiosque da praça, mas o oi demorou a chegar até a região da Coxilha do Adão e do José Ascânio Villaverde.

Poucas vezes se vê alguém falando olá para um conhecido. Falam mais na TV (olá, boa tarde, como diz a Sandra Annenberg), nos gibis e nas dublagens de desenho animado.

Agora, leio que o Facebook é considerado cada vez mais antigo por jovens e adolescentes porque tem muito texto. Eles querem cada vez menos texto. Menos do que no Twitter e menos do que no Instagram.

Os jovens querem ler e escrever com menos letras e podem assim abandonar o oi, porque tem duas letras, e escrever ó. Escreveriam assim: ó, tdb?

Este texto, por exemplo, é considerado um textão pelos jovens. Mas eu tenho uma versão mais curta que resume: no Rosário, as pessoas diziam ó.

(O ‘ó’ consta do Dicionário Houaiss, ao lado do oi e do olá, todos como interjeições. O ó pode ser usado como saudação reconhecida.)

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