O RAZOÁVEL

O juiz Marcus Vinicius Reis Bastos nos ofereceu elementos para uma reflexão importante, no momento em que determinou a soltura do empresário Joesley Batista.
Disse o titular da 12ª Vara Federal de Brasília que a prisão temporária do delator do jaburu, depois convertida em preventiva, é “flagrantemente aviltante ao princípio da razoável duração do processo”.
O juiz disse o que muitos juristas sempre disseram em relação às intermináveis prisões preventivas determinadas por seu colega Sergio Moro. O comandante da Lava-Jato em Curitiba manteve gente encarcerada por meses.
Foi uma tática denunciada com frequência por nomes respeitados do Direito. Moro prendia indefinidamente para obter delações.
O juiz sempre considerou a seu modo o que seria o princípio da razoabilidade de que fala Bastos. Mas quem iria questioná-lo, além dos valentes de sempre? Quem se arriscou foi acusado de conspirar contra seu poder absoluto de caçar corruptos.
Passados esses tempos de exceção, o poder de Sergio Moro talvez seja um dia finalmente percebido como uma aberração do Judiciário que tudo pode contra alguns e que quase nada faz contra outros.
O razoável para Sergio Moro não é o razoável para Marcus Bastos, de quem nunca ouvi falar. O Brasil pode estar precisando de mais Bastos e de menos Moros.

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