Padilha põe o ovo

José Padilha escreve em longo artigo na Folha que sua série O Mecanismo é mais do que entretenimento, é uma tese muito educativa.
E apresenta, de forma esquemática, a sua tese em cinco enunciados (sic). Tudo para atacar as esquerdas.
O artigo do professor Padilha é um daqueles ovos de Páscoa que se quebram quando tocados. Tem casca fina, não tem nada dentro e não parece chocolate.
Padilha é o Sergio Moro do cinema. Mas, como se trata de Padilha, que põe frases do Jucá na boca do Lula e distorce a realidade para agradar a direita com suas teses, o artigo-ovo pode até não ser dele. Pode ser do ninho de algum tucano.

Boicotes

Tem muita gente insistindo que o boicote à Netflix é uma contradição cometida pelos que condenaram o boicote à exposição Queermuseu.
Por favor, não é, e não só por causa das diferenças gigantescas entre as formas dos boicotes.
Não me envolvo com o boicote à série do Padilha, até porque não sou consumidor compulsivo de Netflix e de Padilhas, mas não tem como fazer comparações entre as duas situações.
E não vou escrever uma linha sequer para desenvolver meu argumento, em respeito aos que sabem (e também aos que fingem que não sabem) que a comparação é absurda.

PADILHAGEM

Meu amigo Santiago, o Erico Verissimo da charge, escreveu hoje que José Padilha, o diretor da série sobre a Lava-Jato, é o equivalente no cinema pró-golpe ao que foram os cantores Dom e Ravel para a música pró-ditadura nos anos 70. São propagandistas de direita.

A dupla fazia versões “cívicas” do que seria o momento nacional de euforia (“eu te amo, meu Brasil, eu te amo”), e todo mundo cantava. Assim como Padilha faz agora em série para a TV a sua versão para a caçada da Lava-Jato de acordo com a visão dos golpistas.

Dom e Ravel eram mais ingênuos do que este Padilha que americanizou o cinema brasileiro e tenta contribuir para imbecilizar o país com personagens e falas trocadas, com o argumento de que faz ficção. Ele faz é propaganda para o golpe.

Pois falo disso porque lá por 1977 recebi na redação do jornal Correio Serrano, em Ijuí, um dos dois, o Dom ou o Ravel. Até hoje não me lembro quem era um e outro e não sei quem apareceu por lá, já decadente, para um show sem o companheiro de palco.

Mas podem me perguntar daqui a alguns que me lembrarei muito dos Padilhas, o do governo e o do cinema. O do cinema é o mais cínico, porque faz suas ‘obras’ com ao argumento de faz arte. Ele sabe bem o que faz. Faz pilantragem para enganar trouxas. Ou faz padilhagem mesmo.