O ILUMINISMO DE BARROSO É POESIA VENCIDA

O ministro Luís Roberto Barroso disse em entrevista ontem ao Globo que o Brasil precisa de um choque de iluminismo. É bonito, sempre aparece alguém com essa ideia do iluminismo.

Mas imaginem os 13 milhões de brasileiros que não têm nem CPF e/ou carteira de identidade (e que por isso não conseguem pegar os R$ 600) ouvindo essa frase.

Se eles pelo menos vivessem na Idade Média, quando até faziam churrascos, banquetes e orgias em meio a pestes, desconfiariam que mais à frente alguma coisa iria acontecer.

Hoje, sabem que não irá acontecer nada ou que as chances de que aconteçam são quase nulas. O Brasil não precisa de pensadores com sacadas para sair do pântano. Precisa de homens valentes.

Os otimistas da turma de Barroso são incapazes de reagir à invasão do Supremo por uma horda de empresários acompanhados por Bolsonaro e militares.

Sim, quem invadiu o Supremo na quinta-feira foi um grupo de 15 empresários. Bolsonaro apenas pegou carona. Bolsonaro seria incapaz de imaginar a invasão do Supremo.

O máximo que Bolsonaro consegue imaginar é um churrasco no dia em que o Brasil ultrapassa a marca dos 10 mil mortos pela pandemia.

Os empresários, os militares, Paulo Guedes e seus parceiros tiveram a ideia de pressionar o Supremo. Em muitas republiquetas, das quais a elite brasileira debocha, eles sairiam presos por afronta a um poder.

Homens que carregam nas costas meio PIB da indústria, segundo cálculos exagerados do próprio Planalto, invadiram a mais alta Corte do país, submeteram o presidente da Corte às suas pautas e foram embora com Bolsonaro.

Os empresários e Paulo Guedes usaram Bolsonaro como laranja. Foi bom para eles e para os Bolsonaros, que precisam fragilizar o STF e tentar salvar a família.

E Barroso fica vislumbrando o iluminismo. É uma ideia literária demais, poética, mas que não quer dizer nada em meio às trevas do século 21. É apenas uma tese vencida para encher uma entrevista.

A realidade, que não será alterada por ideias (todas já manjadas), mas por ações políticas, é Bolsonaro passeando de jet ski no lago Paranoá enquanto a morte evança. Mas Barroso quer divagar.

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SEMANA CHEIA
Bolsonaro terá de inventar alguma coisa para desviar a atenção do roteiro da semana. É coisa pesada, tudo envolvendo o inquérito aberto para investigar as acusações de Sergio Moro.

Na segunda e na terça serão ouvidos seis delegados, entre os quais Alexandre Ramagem, o amigo dos garotos (que não assumiu porque Alexandre de Moraes não deixou), e Mauricio Valeixo, o que pediu para sair por pressão de Bolsonaro.

Também na terça serão ouvidos três ministros militares, mesmo que sem farda (só Ramos continua fardado): Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

Todos serão ouvidos no Palácio do Planalto. Ainda na terça, a Polícia Federal ouve a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), a que tentou negociar a substituição do delegado da PF com uma vaga para Moro no Supremo.

Bolsonaro terá de inventar algum rolo no cercado do Alvorada, ou um churrasco na casa de Onyx Lorenzoni.

One thought on “O ILUMINISMO DE BARROSO É POESIA VENCIDA

  1. há muita semelhança entre o que Bolsonaro e seus asseclas fazem com a ascensão do nazismo. há um documentário na netflix, o círculo de Hitler. que ilustra bem o contexto. a criação da s a, tropa de choque para intimidar e agir com violência contra os inimigos. é que está sendo gestado com esse tal grupo dos 300. a estratégia de pressão sobre os poderes constituídos até o seu completo domínio. a pusilanimidade de políticos e da sociedade civil. temos um presidente do stf covarde. a mídia corporativa está mudando de posição somente porque vê seu projeto neoliberal em risco. Bolsonaro estava certo quando repetiu o que lhe soprou o milicio Braga, seu auxiliar, como posso dar autogolpe se já estou no poder? Claro. O golpe já foi dado em 2016. Bolsonaro repete Hitler quando assumiu a chancelaria. o próximo passo é semelhante ao do incêndio do parlamento alemão. pretexto para se proclamar ditador perene. uma última observação: nada mais parecido com himmler, o principal carrasco nazista, que agia nos bastidores, do que o milico villas boas. Bolsonaro ainda não encontrou alguém à altura de goebbels para fazer sua propaganda. mas nem precisou. a mídia corporativa fez e faz de graça

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