O sarrafo

Atletas vencedores pegam bandeiras do público para fazer a volta olímpica. Thiago Braz tinha a sua bandeira em uma bolsa.

Meu amigo Luiz Franz fez no Facebook uma boa observação sobre a bandeira na bolsa, logo depois da vitória de Thiago, para falar do nível de confiança do moço de ouro no salto com vara. A bandeira já estava a sua espera, ainda com as dobras de pano novo.

Eu gosto também de um outro momento, o decisivo para a vitória de Thiago. É quando ele vai ao balcão dos fiscais da prova e pede que levantem o sarrafo, como quem pede um pastel, mesmo que a vara fosse parar 11 centímetros acima do que era sua marca pessoal e seu limite até ali.

Thiago saltou 6m03cm e quebrou o recorde olímpico, na segunda tentativa, porque seu técnico, o ucraniano Vitaly Petrov, assegurou que era possível.

Agora, dando uma de Paulo Coelho: Thiago nos ofereceu mais uma daquelas lições que a gente ouve a partir da idade em que os adultos acham que devemos ouvir lições.

Em alguns momentos, dá pra dizer: ergam esse sarrafo porque eu vou saltar 11 centímetros acima do que sei que posso.

Fica menos difícil se tiver alguém com a sabedoria e a vitalidade de um Vitaly Petrov por perto. Olhe a sua volta e veja onde está seu Petrov.

Se não houver ninguém parecido com um Petrov por perto, se todos a sua volta se parecem com pokémons, é claro que fica mais difícil.

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