QUEM FOI JOSEPH RATZINGER

Escrevi aqui sobre o Joseph Ratzinger encoberto pelo filme Dois Papas, de Fernando Meirelles, e passei a receber de amigos, todos os dias, um texto de Leonardo Boff sobre o alemão que foi por 24 anos o guardião dos piores (quais seriam os melhores?) dogmas da Igreja.

O texto de Boff é a percepção pessoal, única, de um dos grandes nomes da Teologia da Libertação. A abordagem cordial de Boff a respeito da figura de Ratzinger é reafirmadora da grandeza do frei franciscano que a Igreja do alemão perseguiu de forma implacável.

Ao escrever sobre Ratzinger, Boff acaba revelando muito mais do próprio caráter, que todos conhecem, do que ajuda a desvendar quem foi na verdade o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Ratzinger não foi apenas, para consumo externo, um velhinho bondoso que no filme se arrepende do que fez, mesmo que Dois Papas não mostre o que ele de fato fez.

O pesquisador e professor José Oscar Beozzo, doutor em História Social pela USP e mestre em Sociologia da Religião pela Université Catholique de Louvain (Bélgica), nos ajuda a entender quem foi Ratzinger num texto publicado há cinco anos pela revista IHU-Unisinos.

O artigo “O êxito das teologias da libertação e as teologias americanas contemporâneas” não trata de palpites, mas de informações, com a pesquisa detalhada de de fatos, nomes, datas.

Beozzo mostra como a perseguição imposta pelo reacionarismo da Igreja não só calou religiosos (entre os quais Boff) como empoderou grupos fascistas que assassinaram pregadores da Igreja progressista na América Latina nos anos 80. Tudo isso está no artigo de Beozzo.

Ratzinger perseguiu sem piedade os que se dedicaram a pregar e a teorizar sobre a Teologia da Libertação, contrariando e desrespeitando o reconhecimento (para muitos surpreendente) do próprio João Paulo II.

Quem quiser pular trechos, pode começar a ler a partir da página 13, quando se inicia o relato sobre a perseguição do prefeito aos religiosos dedicados a escrever sobre o que seria a nova Igreja.

Observo que, no texto de Leonardo Boff, o franciscano informa que Ratzinger, quando do julgamento do brasileiro por desobediência, não votou pela sua condenação ao silêncio.

Mesmo assim, Boff foi silenciado a não dizer nada por um ano, que acabou se prolongando por mais tempo, até finalmente decidir afastar-se do sacerdócio em 1992.

Ratzinger não votou pela condenação, mas foi quem liderou todo o processo contra Boff, sempre se recusando a negociar outras saídas. Atraiu Boff para um julgamento em que, na última hora, tentou lavar as mãos.

A Bíblia nos conta muito bem a origem dessa tática diversionista de quem manda julgar e condenar, mas deixa que os outros façam o serviço.

Abaixo, o link do artigo, que pode ser lido, para quem quer saber apenas da relação de Ratzinger com os latino-americanos, da página 13 até a 45.

http://www.ihu.unisinos.br/images/stories/cadernos/teopublica/093_cadernosteologia?fbclid=IwAR3fCpb2oOQ69fTn3ei7fEDefm_C8Cl9YLaDqdpLzAbjSX0AeXpd5w3mp-4

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