O marketing da diversidade

Marcelo Canellas, repórter da TV Globo, e Paula Cesarino Costa, ombudsman da Folha de S. Paulo, tratam do mesmo assunto hoje – a diversidade na imprensa. E, no caso da abordagem deles, da pluralidade e da liberdade de expressão no humor.
Marcelo anuncia no Facebook que deixa de ser cronista do Diário de Santa Maria porque a nova direção do jornal tentou “impor limites editoriais à charge” do cartunista Elias. O chargista, que condenou o golpe, por exemplo, acabou perdendo seu espaço. E Marcelo desistiu então de publicar seus textos.
Paula trata das queixas sobre a falta de diversidade na Folha, onde todos os chargistas seriam de esquerda. Tanto que recentemente contrataram Hubert, ex-Casseta, como contraponto.
A mesma Paula levanta uma dúvida: existe mesmo humor de direita, se o humor é por natureza transgressor, e a direita quer conservar quase tudo como está?
Seria humor o conjunto de asneiras e grosserias que parte da direita produziu na internet sobre a doença de dona Marisa Letícia? Claro que não é.
O debate merece prosperar. Fora a grande questão da renúncia do Marcelo a um espaço e a um ambiente que não lhe serviam mais.
É uma decisão pessoal que indica os limites de cada um, nas mais variadas circunstâncias, também no jornalismo, uma área em que a diversidade corre o risco de virar apenas recurso de marketing. Grande Marcelo. Grande Elias.

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