Subalternos submissos

Os vazamentos publicados por Veja reafirmam o que existe de mais desabonador (para não usar outra palavra) para o Ministério Público Federal. Os procuradores eram serviçais de Sergio Moro.
Eram mobilizados pelo juiz, sempre com um claro receio de errar e desapontar o chefe.
A força tarefa era formada por procuradores que temiam o juiz, no mais antigo e retrógrado modelo de comando e submissão.
Sergio Moro continua agindo assim no Ministério da Justiça?
E desta vez os vazamentos criam outro constrangimento. Além de Fux, Edson Fachin era considerado aliado.
Está lá na frase de Dallagnol, depois de um encontro com Edson Fachin em 2015:
“Aha uhu o Fachin é nosso”.
Mais tarde, Fachin iria substituir Teori Zavascki na relatoria da Lava-Jato.
Enquanto pelo menos metade do Brasil lamentava a morte de Teori, em 2017, o procurador chefiado por Sergio Moro tinha motivos para comemorar a conquista de um aliado.

https://veja.abril.com.br/politica/dialogos-veja-capa-intercept-moro-dallagnol/

A lista da confusão

A direita se diverte desde ontem com a lista que tem os grandes mafiosos da política nacional, alguns impunes há décadas, e também tem Vanessa Grazziotin, Manuela D’Ávila e Maria do Rosário.

A lista de Fachin (ou as listas), baseada na lista de Janot, acaba por misturar quem não poderia ser misturado, em nome de uma pretensa ‘moralização’ da política, a partir do combate às muitas modalidades do tal caixa dois.

O que dá a entender é que Vanessa, Manuela e Maria do Rosário estão no mesmo balaio com Aécio, Serra, Padilha, Jucá, Juquinha, Moreira Franco e outros líderes das facções do Jaburu.

Ah, dirão, mas o Fachin vai explicar. A confusão (deliberada?) pode prevalecer sobre a explicação.

A lista de Fachin, com pesos e contrapesos, veio mais para enuviar do que para iluminar, e mais ainda nesses tempos de Ministério Público e Judiciário seletivos.

Que a democracia nos salve dos efeitos desta lista, se é que ainda há tempo.