O jornalista e o piadista

Juca Kfouri entrou no melhor debate sobre opinião, liberdade de expressão, jornalismo, entretenimento e calhordices do momento no Brasil. E entrou para ficar ao lado do cara que acionou o debate com valentia, o jornalista e comentarista de futebol José Trajano.

A notícia é velha, mas se renova com manifestações como a de Juca, colega de Trajano na ESPN. Um resumo: Trajano se queixou da participação do humorista Danilo Gentili na bancada de um programa da ESPN, exatamente quando o Brasil debatia o estupro coletivo no Rio.

Gentili, o mais aplaudido engraçadinho de direita do país, havia feito uma piada sobre… estupro.

Pode? O humorista reacionário acha que pode. Trajano e Juca acham que não. Eu também acho que não. Gentili é uma das aberrações do dito entretenimento de direita. É o grande ídolo dos tucanos e dos golpistas.

Ah, dirão, mas o seu Gentili está apenas exercendo o direito de opinião. Que exerça e que assuma as consequências. Essas figuras nunca fazem piadas com poderosos, só com índios, negros, pobres e gays.

Gentili é a expressão do Brasil calhorda que prospera a reboque do golpe. É um covarde (que depois negou a piada) à espera de um Trajano. Não é o único. Há outros na volta.