UM MILITANTE PELA TERRA

Conversei hoje com o deputado federal Dionilso Marcon, um dos grandes combatentes pela agricultura familiar, pelos sem-terra e pela defesa do meio ambiente.
Marcon tinha 13 anos quando a Fazenda Annoni foi ocupada pela primeira vez por agricultores sem-terra. Contei a ele que entrei num Fusca, com o fotógrafo Alan Vieira, e passamos um dia, em julho de 1997, em três áreas ocupadas. A Folha da Manhã, jornal da Caldas Júnior, publicou duas páginas (a página central) com a reportagem.
Entre 1981 e 1983, estive várias vezes, como repórter do Cotrijornal, da Cotrijuí, na histórica Encruzilhada Natalino, ocupada pelos sem-terra. Marcon era um jovem de 20 e poucos anos.
Contei essas histórias a um bravo militante pela terra, que briga há décadas pela reforma agrária e pela valorização da pequena propriedade.
Me exibi um pouco, porque Marcon me chamou para saber porque eu quis ser pré-candidato a deputado estadual pelo PT. Eu conhecia sua história e então falei um pouco da minha.
Se aprender com ele um pouquinho da sua luta pela terra e pela agricultura familiar, terá sido meio caminho andado. O próprio Marcon é um assentado da reforma agrária.
Combinamos que vamos nos dedicar ao esforço para eleger Rossetto e formar bancadas fortes no Congresso e aqui no Estado. E que o nosso plano A, nosso plano B e nosso plano C são um só: Lula livre e Lula candidato.

A imagem pode conter: 3 pessoas, incluindo Moisés Mendes, pessoas em pé e barba

Ser jornalista voltou a ser perigoso

matheus (2)

Em 1977, quando a Fazenda Annoni foi ocupada pela primeira vez, eu e o fotógrafo Alan Vieira entramos na área como repórteres da Caldas Júnior, logo depois dos agricultores.
Passamos um dia misturados a eles para contar as histórias de gente que havia perdido suas terras para a barragem do Passo Real e pedia o direito de continuar plantando e criando porcos e galinhas.
A Folha da Manhã publicou uma página central com o nosso relato sobre a ocupação pela reforma agrária.
Se tivessem filmado nossa passagem por lá (não sei se não filmaram), correríamos o risco de sermos indiciados com alguns padres e agricultores. Eram grandes os riscos em 1977.
Penso no que fiz na Annoni e penso agora no caso do repórter Matheus Chaparini, do jornal Já, indiciado pela polícia por estar dentro da Secretaria da Fazenda quando da desocupação pela Brigada Militar, no dia 15 de junho.
Matheus incitou a ação dos estudantes que entraram no edifício para reclamar do descaso com a educação? Participou de depredações?
O que ele fez ou disse que possa comprometê-lo? O inquérito levou um mês para ficar pronto, deve estar bem amarrado. Dizem que há um vídeo que compromete o jornalista.
O que se sabe até agora é que outro vídeo mostra, em pelo menos dois momentos, que Matheus se identifica como repórter.
Relembro a primeira ocupação da Annoni (tantas vezes ocupada) e me imagino fazendo o que Matheus fez agora, cobrindo um fato o mais próximo possível dos seus protagonistas, e não da janelinha de uma unidade móvel.
Mas não consigo me imaginar. São tempos distintos demais. Em 1977, vivíamos ainda sob ditadura. Hoje, vivemos sob uma democracia de muitas faces.
Os jornalistas sabiam muito bem com quem estavam lidando em 1977.