A DEMOCRACIA E A MANIFESTAÇÃO DO DIA 24

O Judiciário brasileiro será marcado pelo que acontecer em janeiro, para um lado ou para outro. Teremos o Judiciário Antes do Julgamento de Lula e o Judiciário Depois do Julgamento de Lula.

Setores ditos liberais da própria Justiça, alinhados com a direita mais reacionária, entendem que esse é um julgamento excepcional e que por isso deve ser apressado (como defendem os jornalistas aliados de tucanos e jaburus).

Pois esses setores deverão se submeter a outras excepcionalidades que já se manifestam e virão mais adiante. Se o julgamento é excepcional, as reações também são e continuarão sendo. Não há como ser diferente.

Enganam-se os que acham que o Judiciário sairá imune da Lava-Jato e dos seus desdobramentos e não só na primeira instância. O Judiciário passou, assumidamente, a ser um protagonista da política, sempre com o argumento da excepcionalidade. O Judiciário terá agora de arcar com as consequências desse entendimento e das suas pressas excepcionais.

Seria surpreendente se um caso excepcional, com tratamento excepcional, fosse entendido pelo meio jurídico e por magistrados como um caso normal sob o ponto de vista da população e dos contrariados com os métodos da Lava-Jato.

Não é normal. O Judiciário terá de se entender com o que está acontecendo, não só internamente, e ter a compreensão de que seus atos são observados num contexto que não é de normalidade.

A Justiça poderá, muito antes do final dos processos da Lava-Jato, ser a mais desqualificada instituição brasileira. Porque governo e Congresso já foram desmoralizados. Mas muitos ainda acreditavam que o Judiciário sairia ileso dessa conjuntura de excepcionalidades. Não sairá.

A Justiça também está sendo julgada. Por isso a manifestação prevista para o dia 24 de janeiro, diante do Tribunal Regional Federal em Porto Alegre, quando haverá um desfecho para o processo do tríplex, é da natureza da democracia.

Nem o Judiciário, nem o Ministério Público estão acima da liberdade de expressão, nos limites do que é tolerado pelas leis e pelas normas de convívio.

A manifestação do dia 24 deve ser vista como prova da vitalidade de uma democracia, mesmo que maltratada e pisoteada por um golpe recente. Aguardem uma manifestação excepcional porque o processo é excepcional. O Judiciário terá de aguentar o tranco.

A gincana para pegar Lula

A Folha conta hoje como a força-tarefa do Ministério Público da Lava-Jato e o juiz Sergio Moro põem em polvorosa os procuradores que atuam na segunda instância, junto ao Tribunal Regional Federal de Porto Alegre.
É uma correria para que sejam cumpridos os prazos e Lula seja julgado logo pelo TRF da 4ª Região. A pressão de Curitiba é extenuante.
É a mesma correria que acontece há 10 anos para que sejam cumpridos os prazos e sejam julgados os tucanos envolvidos na máfia do metrô paulista. Correm também para pegar a quadrilha paulista da merenda tucana. É uma correria que só vendo.
É a mesma correria que durante duas décadas agilizou o processo do mensalão tucano de Minas. E que toca adiante com rapidez recorde o caso (engavetado mais uma vez pela Polícia Federal) da famosa lista da propina de Furnas. Mas o Ministério Público vai dizer que não tem nada a ver com a PF.
Mas a correria inédita mesmo é esta para saber quem pega Lula primeiro. Parece mais uma gincana do que um processo. Nunca antes o Judiciário brasileiro foi tão ágil. Todo mundo corre atrás de Lula e conta vantagem ao dizer publicamente que corre.
Nunca antes procuradores e juízes foram tão protagonistas e exibicionistas. Lula é o coelho da Justiça brasileira.