BOLSONARO URUGUAIO É UM ESTORVO PARA DIREITA E ESQUERDA

Aconteceu o que estava previsto. O senador e general reformado uruguaio Guigo Manini Ríos, líder da extrema direita, disse ontem que a ocultação de informações sobre crimes da ditadura não é um problema dele, mas dos governantes.

Manini Ríos, que fracassou ao tentar ser o Bolsonaro uruguaio nas eleições do ano passado, é acusado de calar sobre a confissão de um criminoso da ditadura ao Tribunal Militar do Uruguai.

O senador era chefe do Exército quando o oficial reformado José Nino Gavazzo confessou que matava Tupamaros nos anos 70. Manini Ríos chefiou o Exército de 2015 a 2019, no governo da Frente Ampla de Tabaré Vázquez.

Há pressão de parte da própria direita que está no poder, com o blanco Luis Alberto Laccalle Pou, para que o senador perca o foro privilegiado e se submeta às investigações do Ministério Público.

Se ele sabia da confissão de um criminoso a um tribunal militar, por que ficou calado e não levou o assunto adiante?

Ontem, ele disse o seguinte: “Claramente, para qualquer pessoa com um mínimo de honestidade intelectual, as responsabilidades cabem aos políticos que estavam nesses cargos muito próximos desses episódios que se desanuviam agora”.

Manini Ríos tenta empurrar a ocultação da informação para o colo do governo de Tabaré Vázquez.

É a extrema direita empurrando os cadáveres da ditadura para o colo da Frente Ampla. Com um constrangimento que não pode ser esquecido, sob pena de a esquerda cometer os mesmos erros que condena: Manini Ríos ficou por quatro anos na chefia do Exército, no governo de Tabaré Vázquez.

Ninguém sabia de quem se tratava? O general só se transformou num extremista quando virou político e líder do partido Cabildo Abierto?

É complicado. Mas é preciso saber lidar, nos tempos ruins e nos bons, com as grandes barbeiragens.

Manini Ríos foi empossado como chefe do Exército no final do governo de Mujica, em 2 de fevereiro de 2015. Mujica tentou cooptar a ala radical do Exército e falhou?

No dia 1º de março, Tabaré Vázquez assumiu seu segundo mandato e o general já estava lá. No dia 12 de março de 2019, o militar foi demitido.

Oficialmente, os motivos seriam críticas de Manini Ríos a uma tentativa de reforma da previdência que tiraria privilégios dos militares.

Tabaré também tentou, mas não conseguiu, levar adiante a intenção de finalmente submeter, por mudanças nas leis, os militares da ditadura a julgamento. Manini Ríos se rebelou e passou a agir abertamente contra o governo.

O general fascista é agora um estorvo para direita e esquerda. Seu partido apoia o governo conservador de Lacalle Pou. Mas parece que os políticos uruguaios já sabem o que fazer com ele.

Manini Ríos pode ser sacrificado, algo inimaginável no Brasil. Se acontecer, será um desastre para a extrema direita, que terá de arranjar um substituto para o seu Bolsonaro.

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