Carluxo abandona o esquema, mas ainda deve se entender com Alexandre de Moraes

Carlos Bolsonaro se despediu do comando das redes sociais do pai, como se estivesse tentando dizer que agora está fora da guerra suja que ajudou a criar.

Pode ser um truque, uma espécie de habeas corpus que vem sendo usado principalmente por empresários derrotados na articulação do golpe. O que mais tem é arrependido mandando recados a Brasília.

Carluxo sai com tom choroso, queixando-se de ter sido abandonado dentro da estrutura e considerando-se pior do que um rato pelo tratamento de parceiros que ele não identifica.

Parece estar desaparecendo o personagem com boné de camuflagem, pronto para a guerra, que aparecia sempre ao lado do pai como um soldado, logo depois da eleição em 2018 (foto).

Mas a despedida não vai livrá-lo do encontro com a Justiça. O vereador é investigado no inquérito das milícias digitais, que a Polícia Federal já identificou como uma estrutura paralela que funcionava dentro do Palácio do Planalto.

Relatório que a delegada Denisse Dias Rosa Ribeiro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, em fevereiro do ano passado, descreve a existência do gabinete do ódio como um grupo de pessoas que se uniram “de forma estruturalmente ordenada, com unidade de desígnios e divisão de tarefas (produção, difusão e financiamento), com o objetivo de obter vantagens financeiras e/ou político-partidárias por meio da produção e divulgação de informações (texto, imagem e vídeo) em meios de comunicação (redes sociais ou canais de comunicação), de notícias fraudulentas, falsas comunicações de crimes, violação de sigilo funcional, ameaças e crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria), lesando ou expondo a perigo de lesão o Estado democrático de direito e a independência e a harmonia entre os Poderes, ocultando ou dissimulando a natureza, origem, movimentação ou propriedades de valores decorrentes da atividade criminosa”.

Carluxo é considerado, como chefe da comunicação virtual de Bolsonaro desde a primeira campanha, como líder desse grupo, que contava com gente de dentro do Planalto e é investigado desde abril de 2019 nos inquéritos coordenados pelo ministro Alexandre de Moraes.

Até hoje não há desfecho para essas sindicâncias, que incluem o próprio Bolsonaro, empresários, políticos e assessores comissionados do governo fascista derrotado em outubro.

Abaixo, o texto de despedida que Carluxo publicou no Twitter:

“Após mais de uma década à frente e ter criado as redes sociais de @jairbolsonaro, informo que muito em breve chegará o fim deste ciclo de vida VOLUNTARIADO. Pessoas ruins se dizem as tais e ganham muito com o suor dos outros que trabalham de verdade e isso não é excessão (sic) aqui. Pretendo entrar em novo ciclo de vida com foco pessoal. Difícil ficar sozinho anos e ser tratado de modo que nem um rato mereceria. Anos de muita satisfação pessoal e tenho certeza que de muita valia para pessoas boas e também às mais ingratas e sonsas. Não sairei sem avisar. Até lá, tentarei me manter como sempre, sozinho, mas com muita energia. Não acredito mais no que me trouxe até aqui, mas torço para que tudo dê certo para todos! Nada impulsivo, apenas justo e olhando pra frente em numa nova fase de vida! Seguem os dias”.

* A palavra exceção está escrita no texto com dois s e por isso o erro foi mantido.

5 thoughts on “Carluxo abandona o esquema, mas ainda deve se entender com Alexandre de Moraes

  1. Esperado, afinal o barco está afundando, se ficar nele, vai pro fundo, se sair nadando, talvez consiga fugir dos tubarões e chegue numa ilha, num paraíso fiscal.
    Só fico com pena dos ratos, ser comparado a esta figura do vereador é crueldade demais com os pobres bichinhos.

  2. Autocomiseração de UM ser que nem aos ratos tem o direito de se comparar. À vista do naufrágio inevitável, chora lágrimas de crocodilo com a única intenção de confundir e tentar EVITAR investigações, inquéritos, julgamentos e condenações aos quais não pode escapar. A maldade desse ser (de família) não pode ficar impune!

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