O BRASIL ACOMODADO ESPERA TUDO DAS INSTITUIÇÕES

Alexandre de Moraes determinou, há quase um mês, que o Brasil peça a extradição do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos aos Estados Unidos. O sujeito estava com prisão preventiva decretada e era preciso recambiá-lo. Era uma ordem.

O que aconteceu até agora? Nada. O que temos de fato novo é que a Casa Civil exonerou logo depois a delegada Silvia Amélia Fonseca de Oliveira, diretora de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional no Ministério da Justiça.

A delegada cuidava junto às autoridades americanas do pedido de extradição do cara que ameaça o Supremo.

Ficamos sabendo agora que o secretário nacional de Justiça, Vicente Santini, tentou reverter a ordem de Moraes, mas descobriu que Silvia Amélia já havia cumprido com sua obrigação e enviado o pedido aos Estados Unidos.

Foi aí que demitiram a delegada, porque a agilidade da servidora incomodou os mandaletes da extrema direita preocupada em retardar ou quem sabe impedir o cumprimento da ordem do STF.

O pedido de extradição foi feito pelo ministro do Supremo no dia 21 de outubro. Allan dos Santos continua não se sabe onde e não há nada que indique que vá ser extraditado logo.

Agora, outro caso em que uma ordem do Supremo é afrontada. Na terça-feira, o Supremo decidiu, por ampla maioria de 8 votos a dois, manter a decisão da ministra Rosa Weber, que havia suspendido o pagamento das emendas secretas aos deputados.

Pois já está anunciado e consagrado que Arthur Lira vai driblar a ordem do Supremo e continuar pagando as emendas, preservando com artimanhas o mais mafioso de todos os esquemas já montados na Câmara.

E o que deve acontecer? Talvez não aconteça nada de consequente e que o debate sobre a legalidade do desvio de dinheiro público para a compra de deputados apenas seja retomado.

A seguir, mais um exemplo de afronta. Na semana passada, o deputado Daniel Silveira, preso e depois posto em liberdade (pela segunda vez), por atacar o Supremo, concedeu entrevista para dizer o quê? Para atacar o Supremo.

Silveira disse à Joven Pan que, quando decidiu enfrentar o STF e defender seu fechamento, agiu sob forte emoção e que aquilo era o que deveria ter sido feito. Não se arrependeu do que disse.

Alexandre de Moraes o advertiu, para que explique a entrevista e para que não fale mais nada sobre o Supremo. Como o deputado já foi preso e solto duas vezes, pode ser preso de novo e, quem sabe, solto mais adiante.

O resumo disso tudo é que Allan dos Santos continua nos Estados Unidos, Arthur Lira continua liderando as facções das emendas secretas e Daniel Silveira continua atacando o Supremo.

O STF esperneia do jeito que dá, porque o povo exige que as instituições continuem funcionando. Mas também as instituições só funcionam, nas atuais circunstâncias, se tiverem suporte para funcionar.

E o suporte da democracia hoje, a começar pelo próprio Congresso, é próximo de zero. O Congresso trabalha contra o Supremo.

A classe média inerte, subjugada, resignada, sem forças ou sem vontade para voltar às ruas, cobra o funcionamento pleno das instituições, enquanto o próprio povo se encarrega de contribuir, por omissão, com a disfuncionalidade cotidiana da democracia.

O povo fraco quer instituições fortes e espera que Alexandre de Moraes enfrente os milicianos, que Rosa Weber encare as quadrilhas das emendas secretas e que Gilmar Mendes duele com os ex-justiceiros lavajatistas de Curitiba.

3 thoughts on “O BRASIL ACOMODADO ESPERA TUDO DAS INSTITUIÇÕES

  1. Arthur Lira desrespeitou a decisão de Rosa Weber continuando a conceder o toma lá do orçamento secreto.
    Você tem toda razão. A Câmara estica cada vez mais a corda e o Supremo fica cada vez mais enfraquecido. Essa é a Tática de Bolsonaro/Lira.
    Enquanto isso a inflação dispara e ficamos o dia todo nas redes sociais falando da voz do Moro.

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