O DRAMA DE CARLUXO E AS OMISSÕES DAS FIGURAS PÚBLICAS GAYS

Jean Wyllys sabe do que está falando. É gay assumido e também é militante LGBT+. Pois Jean Wyllys, que já abordou o assunto outras vezes, acha que Carluxo é agressivo com os gays por não saber lidar com a própria sexualidade.

Jean não é um hétero tentando enquadrar gays para assim desqualificá-los. É um humanista, um gay famoso, respeitado e valente.

Não se trata de um diagnóstico, mas de uma observação sobre o comportamento inadequado de uma figura pública, com mandato, que tem obsessão por questões sexuais e está sempre depreciando quem ele não considera hétero.

“Carluxo é sexualmente enrustido”, escreveu Jean Wyllys no Twitter, comentando o fato de o filho de Bolsonaro ter resgatado e publicado um vídeo antigo em que dois homens se beijam em uma performance em evento com as presenças de Lula e de Celso Amorim, entre outras figuras da esquerda.

Carluxo quer dizer, de novo, que ficou escandalizado. É uma situação complicada para figuras públicas homofóbicas, porque o exagero na abordagem do assunto parece denunciar mesmo algo errado.

Carluxo tem o direito de se proteger, se não quiser explicitar sua orientação sexual. Mas é óbvio que não tem o direito de ser homofóbico. Gay, cínico e homofóbico? Não dá, sendo ou não sendo gay.

Jogadores de futebol gays se protegem porque seriam massacrados e suas vidas se tornariam insuportáveis.

Em todas as áreas, com graduações diversas, gays, lésbicas trans, agêneros buscam a discrição, inclusive na política.

Mas não deve ser escamoteado o debate sobre as condutas de figuras públicas, principalmente as eleitas, que não só escondem a orientação como nada fazem em favor da diversidade e do combate a preconceitos e à violência de cunho sexual.

Uma figura pública, eleita, com mandato, com exposição pública cotidiana, com poder para tomar decisões, pode continuar se omitindo em relação à diversidade e às lutas LGBTs+ apenas para se proteger?

Um vereador, um deputado ou gestor público gay, prefeito ou governador, uma figura com amplos poderes pode ficar imobilizada diante das grandes questões envolvidas em atitudes de proteção e de afirmação das pessoas LGBT+ em nome da privacidade?

Pode um gay ocupante de função pública não fazer nada pelos gays? Nenhuma fala, nenhum gesto, nenhuma proposta de mudança em normas e leis e em condutas condenáveis e/ou criminosas?

Um gestor público eleito pelo voto pode ser indiferente à realidade que o cerca e que deve ser alterada com a sua contribuição?

Não pode ser indiferente se for hétero. Não deve ser for gay. Não há como ser indiferente diante de uma questão fundamental que pode significar vida ou morte.

Uma figura pública gay ou LGBT não pode ser cúmplice, pela omissão, da reafirmação de uma realidade que precisa ser mudada também a partir de ações na esfera pública. Não precisa ser militante, mas não pode ser indiferente.

Claro que não se espera nada disso de Carluxo. Pelo que diz Jean Wyllys, ele é um atormentado. O vereador ataca os gays porque não quer admitir que seria um deles e assim enfrentar discriminações, perseguições e violências.

A situação de todos os Bolsonaros é complicada. Carluxo é parte de uma família violenta, com a vida associada ao convívio com milicianos violentos. Todos, começando pelo pai, são obsessivos com pênis e armas.

É uma família violenta, que prega a violência talvez pelo próprio sentimento de insegurança em relação ao que de fato é e que tenta não ser.

A agressão de Carluxo aos gays é parte dessa violência de quem, segundo Jean Wyllys, teme sair do armário. Carluxo teme enfrentar agressões como as que ele comete. É um drama pessoal terrível.

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