A utilidade dos kids pretos, verdes e amarelos

Os generais Augusto Heleno e Ridauto Lúcio Fernandes poderiam se sentar um dia à sombra de uma árvore do buriti, no meio do cerrado, e conversar sobre o que fizeram como militares com sólida formação para ações que exigem bravura e preparo técnico fora do comum.

Augusto Heleno poderia começar dizendo que, no depoimento à CPI do Golpe, há poucos dias, deu uma informação antes de qualquer outra, para dizer quem era.

Informou que fez cursos de paraquedismo, de guerra na selva e de educação física e ainda se dedicou a treinamento de mestre de saltos de paraquedas, o que é um acréscimo em relação ao primeiro item.

Parecem informações irrelevantes, como quando alguém diz que foi escoteiro e fez curso de primeiros socorros na floresta, mas nesse caso não é.

Heleno quis deixar claro que sua carreira começa com uma base de soldado de luta, que tem preparo para quaisquer enfrentamentos e guerras.

Foi assim que, no topo, chegou ao posto de gestor das tropas brasileiras que estiveram no Haiti como interventoras em nome da ONU.

Mas o general Heleno, em 45 anos de Exército, nunca participou de nada relevante no Brasil para o qual foi preparado como saltador de paraquedas e soldado das selvas. Se tivesse participado, teria dito na CPI.

Heleno diria ao colega dos kids pretos que foi, na verdade, um oficial de gabinete, desde que em 1974, assumiu a ajudância de ordens do então ministro do Exército Silvio Frota. O resto todo mundo sabe.

Ridauto Lúcio Fernandes contaria ao ex-chefe do GSI que foi um kid preto esforçado e que, nessa área de formação para ações especiais, foi mais longe do que Heleno.

Tem técnicas de militar de elite. Inteligência, agilidade, força física, discernimento, capacidade de manter o planejamento e a execução de ações perigosas sob sigilo. São as virtudes de um kid preto, das forças especiais do Exército.

Ridauto diria a Heleno, apenas para reafirmar, porque ele já sabe, que Mauro Cid, Eduardo Pazuello e Luiz Eduardo Ramos também são kis pretos. E que, no 8 de janeiro, ele estava lá na Praça dos Três Poderes.

E iriam conversando, até que chegariam à conclusão, mesmo que sem nada a dizer a respeito, que nunca deram saltos de paraquedas em áreas de conflito, nunca participaram de guerras como soldados, nunca defenderam o Brasil de nenhuma invasão.

Heleno poderia dizer que a situação no Haiti era de guerra civil, mas o outro diria que não vale, até porque o Haiti não é aqui, e as intervenções brasileiras lá sempre foram muito controversas.

Ridauto, de quem se procura e nada se encontra de importante que o habilite a ser reconhecido como um militar especial, nada teria a dizer a Heleno sobre suas ações especiais antes de 8 de janeiro.

Ambos iriam concluir que saltaram de paraquedas, deram tiros, mantiveram operações secretas em sigilo, esforçaram-se para vencer terríveis inimigos, mas sempre em treinamentos, em situações simuladas.

Heleno, que já se definiu várias vezes como um frasista jocoso quando ataca o Supremo e as instituições, tem um currículo que o vincula hoje muito mais a uma tentativa de golpe, e por isso foi depor na CPI, do que a atos de bravura.

E Ridauto, preparado para enfrentar terroristas, estava ao lado deles no 8 de janeiro. Foi treinado para agir em silêncio em ações perigosas, mas fez vídeos do que via e ajudava a acontecer em Brasília naquele dia.

Estava ali, ao lado de terroristas, um general que já havia se apresentado nas redes sociais como um soldado disposto a dar a vida pelo país.

A árvore do buriti seria testemunha de uma conversa entre duas figuras preocupadas em identificar o que teriam feito de útil como militares habilitados para a guerra. O que kids pretos, verdes e amarelos fizeram até
hoje como guardiões do país? Até uma árvore sabe.

Ao final da conversa, como consolo, poderiam dizer um ao outro que estiveram sempre de prontidão, inclusive para golpes, e isso é o que importa. Na hora de ir embora, bateriam continência e gritariam às gargalhadas: selva!!!

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