SAUDADE DE 1989

Com essa história do Collor candidato em 2018, revi informações sobre a eleição de 1989, quando ele derrotou Lula no segundo turno. Collor tinha 40 anos. Lula tinha 44.

Foram 22 candidatos. Brizola, Covas, Lula, Collor, Ulysses, Maluf, Gabeira, Caiado, Roberto Freire, Aureliano Chaves, Enéas, Afif Domingues e outros pouco lembrados.

Brizola, Covas, Enéas, Ulysses e Aureliano já morreram. Freire e Gabeira foram para a direita (Gabeira é hoje jornalista fofo da GloboNews). Maluf finalmente foi preso. Caiado é senador e quer ser candidato mais uma vez. E Collor vem aí de novo, como se nada tivesse acontecido.

Votei em Covas no primeiro turno. Acreditava que nascia ali na redemocratização, com ele, Fernando Henrique, Montoro e outros criadores do PSDB (a esquerda do PMDB na época), a sonhada social-democracia brasileira. Covas seria nosso Felipe Gonzalez.

No segundo turno, fui de Lula. Assinei, com um grupo de jornalistas, professores, artistas e outros profissionais do Estado um documento de apoio ao petista.

Cada um deu uns pilas e o manifesto foi impresso em folhas grandes, de jornal standard, o formato da Folha de S. Paulo, com duas dobras, distribuídas por toda parte. Me lembro das reações contrariadas (jornalista assinando um manifesto político?), mas nada que representasse alguma ameaça real aos que subscreveram o texto.

Chego agora a uma conclusão óbvia. O apoio explícito de jornalistas da chamada grande imprensa a um documento que abria o voto para Lula (ou a qualquer candidato que viesse a enfrentar o representante da direita num segundo turno) seria impensável hoje.

Os jornalistas progressistas ou politicamente de esquerda (apenas para que se tenha uma definição genérica) foram vencidos por normas e regras corporativas, algumas não escritas, que só favorecem hoje quem for de direita,

Jornalistas de direita, sob o argumento de que são ‘liberais’, dizem o que bem entendem hoje na grande imprensa. Principalmente se forem declaradamente anti-PT. Os jornalistas de esquerda, constrangidos, vão se transformando em raridade nas grandes redações.

Sinto saudade de 1989 e daqueles tempos de briga aberta pela democracia. Que democracia temos hoje?

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