SÓ HÁ UMA SAÍDA PARA SERGIO MORO

É complicada a situação de Sergio Moro. Nos próximos dias o consultor poderá acrescentar mais um ex diante do nome. Será ex-juiz, ex-aliado de Bolsonaro, ex-ministro da Justiça, ex-futuro ministro do Supremo, ex-candidato a candidato a presidente da República e ex-sócio de uma corporação americana que tenta salvar os restos de empresas que ele ajudou a quebrar.

Moro não vai resistir a questionamentos sérios e à desconfiança dos próprios clientes da consultoria. O ex-juiz diz que assumiu a missão de ensinar as organizações a fazerem a coisa certa. Mas o que é certo para quem faz o que ele vem fazendo?

Como sócio da Alvarez & Marsal, Moro passa a ser uma figura clássica do mundo empresarial, o cara que o boy, o porteiro e a faxineira sabem de onde veio e que não precisa fazer muita coisa para provar nada a ninguém.

Todos sabem qual é a grande tarefa de figuras como Sergio Moro dentro de empresas com esse perfil. Moro vai flutuar nas zonas sombrias das atividades corporativas.

O ex-juiz seria, até anos atrás, no ambiente presencial das empresas pré-pandemia, o sujeito que provocava murmúrios quando passava no corredor. Lá vai ele de novo, com sua pasta de cromo alemão, levando nada a lugar algum.

Parece evidente que Moro será uma grife arregimentadora de clientes. Deve participar de eventos, de conversas, de aulas, mas não é o que importa para o comando da Alvarez & Marsal.
Na entrevista que deu ao Estadão, ele repete o que não vai fazer (advocacia, por exemplo), mas não se sabe direito o que de fato fará. O que a empresa faz é compliance, um termo manjado para vender a ideia de que as empresas agora fazem a coisa certa.

É vago. A coisa certa é o bordão de Moro, o que não esclarece muita coisa. Moro será a estrela de conferencistas de autoajuda, para dizer que as empresas não devem ser desleais com a concorrência, nem roubar, sonegar, ludibriar clientes e o setor público ou contrabandear?

A A&M diz que Moro vai atuar na área de Disputas e Investigações, com foco em políticas antifraude e corrupção, governanças de integridade e conformidade a normas e leis.

Moro fará coaching, eventualmente, para que saibam que ele mete a mão na massa. Mas não dá para imaginar que o ex-juiz receberá R$ 1,7 milhão por ano para ser apenas isso.

É muito dinheiro para um risco incalculável. Pelo massacre que vem sofrendo, se insistir em continuar como sócio da consultoria, Moro estará contribuindo para um ataque incessante não só a ele, mas à imagem da magistratura.

Não adianta dizer que agora o consultor é um ex-juiz. O que se considera nesses julgamentos é a sua condição de magistrado famoso que abandonou o Judiciário e se tornou indiferente a interrogações sobre escrúpulos e questões éticas elementares, antes de qualquer outra abordagem legal.

Joaquim Barbosa deixou o Supremo sob bombardeio de parte da esquerda ressentida com a sua atuação no processo do mensalão. E foi só isso e já passou. Alguns tentaram, mas nunca conseguiram atacar a reputação de Barbosa.

Moro deve pelo menos inquietar-se com o que dizem dele hoje. Seria a hora de fazer a coisa certa, depois da sequência desastrosa de atitudes tomadas desde que deixou a magistratura.

A coisa certa é desfazer a sociedade e afastar-se de quaisquer empresas e atividades que envolvam as carcaças das empreiteiras destruídas pela Lava-Jato.

2 thoughts on “SÓ HÁ UMA SAÍDA PARA SERGIO MORO

  1. Não sobrarão muitas alternativas de trabalho, nem falo de emprego. Quem sabe, atuação em porta de cadeia ou estágio em alguma imobiliária.

  2. QUAL SERIA O Tempo adequado após o qual um juiz poderia trabalhar na iniciativa privada?
    usando o seu conhecimento específico? (no caso do moro, lavagem de dinheiro e outras falcatruas com dinheiro). ele já está há quase dois anos fora da lava-jato, incluindo neste tempo uma quarentena depois de sair do governo.

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