SERGIO MORO E AS FUMAGEIRAS

Sergio Moro passa todo tempo se explicando. Geralmente por causa de omissões. Explica-se pelo silêncio sobre o crime organizado dos milicianos, sobre a morte de Marielle.

Explica-se que uma hora considera caixa dois um crime qualquer, mas depois acha que é um crime grave. Esquece as biografias que diz ler e explica até quando fala conge.

Sergio Moro é um ex-juiz que se explica ou tenta se explicar a cada entrevista. E mais ainda agora quando o assunto é o pacto que teria feito com Bolsonaro para conseguir uma vaga no Supremo.

Mas numa questão ele passa batido e ninguém cobra. Qual é sua relação com as fumageiras? Por que Moro está tão preocupado em proteger a indústria do cigarro diante da concorrência do contrabando?

Por que logo o cigarro? Por que Moro criou um grupo de trabalho especial no Ministério da Justiça para tratar da proteção à indústria fumageira, com o argumento de que essa área sofre muito com a entrada de cigarros do Paraguai?

Que prioridade é essa? Por que só a Folha trata do assunto e todos os grandes jornais ignoram essa estranha relação de um ministro com a indústria de um vício que mata tanto?

A Folha publicou no começo de maio uma reportagem com um dado grandioso. Sergio Moro está lidando com uma empreitada que, a partir de estudos da própria indústria, poderia garantir ganhos de até R$ 7,5 bilhões no faturamento das fumageiras.

Esses estudos, levados em conta pelo time do ex-juiz, tem entre seus três autores dois pesquisadores Paraná, a terra de Moro. Um deles, Pery Shikida, virou conselheiro do Ministério da Justiça no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

O estudo, diz a Folha, foi encaminhado a Moro pelo Idesf (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras), que tem parceria com quem? Com a Souza Cruz.

É tudo muito estranho, mas talvez nem seja. Por que um ex-juiz preocupado com a moralidade se dedica com tanto empenho, logo que assume, à defesa do cigarro nacional, com o argumento de que o produto contrabandeado é mais danoso para a saúde e os cofres públicos?

Que prioridade é essa? Especialistas em saúde pública tratam do assunto com desconfiança. Porque não há uma explicação convincente para o esforço do ministro.

Sergio Moro, que passará um ano e meio (até conseguir a vaga no Supremo, se é que vai conseguir) explicando o pacto com Bolsonaro, deveria concentrar energias no esforço para chegar ao STF. Larga o cigarro, Sergio Moro.

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