A caçada a Altman avança com o suporte da Justiça e o acovardamento da grande imprensa

A perseguição ao jornalista Breno Altman pela Conib (Confederação Israelita do Brasil) está no contexto de tantas outras caçadas a jornalistas que não pertencem às grandes corporações de mídia. Predadores de jornalistas focam em presas que os afrontam e que eles consideram menos protegidas.

Altman é a presa da vez. Para relembrar, por ação impetrada pela Conib, um juiz de São Paulo determinou que sete publicações de Altman com críticas a Israel, ao sionismo em geral e ao fascista Benjamin Netanyahu sejam retiradas da internet.

O juiz considerou que há nos textos “elementos de ofensas” aos israelenses. A Conib vê até racismo. Breno Altman, criador do Ópera Mundi, é um judeu crítico do sionismo e implacável com o governo terrorista de Israel.

Mas a censura é apenas parte da ação. A Conib também quer que o jornalista pague uma indenização de R$ 80 mil por danos morais coletivos causados à comunidade judaica.

E que desembolse, por injúria, um salário mínimo a cada israelense com residência no Brasil “por danos morais de natureza individual”.

A confederação quer inviabilizar a vida de Altman. Qual é a novidade em relação ao que figuras de direita e extrema direita já fazem há muitos anos contra jornalistas que não pertencem aos grandes grupos midiáticos?

A novidade agora é a guerra. Muito antes, sem guerras, essa turma e seus amigos ditos liberais cercam jornalistas com assédio judicial pesado por injúrias que só eles enxergam, com o apoio do sistema de Justiça que acolhe seus argumentos.

Indivíduos identificados com o reacionarismo e o bolsonarismo, sob pretextos variados, tentam não só calar os jornalistas. O esforço maior é para que sejam afastados das suas atividades pela ameaça recorrente de indenizações impagáveis.

Sou solidário com Altman por vários motivos, e o primeiro deles é o direito que ele tem de criticar, como jornalista e cidadão, o assassinato de crianças, entre outros crimes de guerra.

Sou solidário com Breno Altman porque eu tenho o direito de ler e ouvir suas reflexões sobre os atos terroristas perpetrados por Israel contra uma população indefesa.

Sou solidário com Altman como já fui com outros colegas perseguidos na Justiça por quem tem dinheiro e trincheiras nos meios político, religioso e judiciário, que muitas vezes são tudo a mesma coisa.

Perseguiram e perseguem Altamiro Borges, Elvira Lobato, João Paulo Cuenca, Kiko Nogueira, Tau Golin, os repórteres da antiga Gazeta do Povo cercados por juízes e promotores do Paraná, Patrícia Campos Melo, Lucas Valença. Já escrevi sobre os casos de todos eles. Todos. Um por um.

E escrevi sobre a perseguição a outros colegas escolhidos pelos que usam a Justiça para amedrontar e cobrar altas indenizações não pagas nem mesmo a parentes de perseguidos, torturados e assassinados pela ditadura.

Já participei de audiências públicas sobre a perseguição a jornalistas por pastores e ricaços que têm dinheiro e proteção de facções políticas. Já ouvi dizerem que, com a cumplicidade do sistema de Justiça a esses grupos, não há o que fazer.

Por isso sou solidário com Altman. Pela sua trajetória de bravura no enfrentamento de gangues de todas as áreas da delinquência. E também por eu ser seu colega de Café da Manhã, todas as quartas-feiras, na TV DCM, ao lado de Kiko Nogueira, Leandro Fortes e Maria Fernanda Passos.

Sou solidário com Altman porque sei bem o que significa ser ameaçado por quem tem poder econômico e enfrentar, como eu enfrento, quatro processos impetrados por um empresário ativista de extrema direita.

Sou solidário com a jornalista Schirlei Alves, condenada por uma juíza de Santa Catarina a seis anos de cadeia e a pagar indenização de R$ 400 mil a um juiz e a um promotor que, diz a juíza, ela teria ofendido em reportagem no Intercept.

Vamos repetir. Nunca a mãe de um torturado e morto pela ditadura recebeu a metade da multa que a juíza impõe a Schirlei, porque as famílias dos assassinados pelos militares não receberam nada por determinação da Justiça. Não há metade onde não há nada.

Nada. Zero. Nenhum centavo. Porque raros são os juízes que levam adiante os processos de ações cíveis de reparação contra serviçais e bandidos da ditadura.

Sou solidário com todos os que não se dobram aos poderosos, mesmo que a maioria dos colegas da grande imprensa se mantenha distante, silenciosa e acovardada.

A solidariedade a Breno Altman, no meio em que ele atua, só não tem o tamanho que deveria ter porque um vasto contingente do jornalismo é hoje mais calhorda e frouxo do que grupos similares que enfiaram o rabo entre as pernas no Brasil pós-64.

Mas o jornalismo de resistência não se dobra a quem se considera dono de mentiras vendidas como verdades e usa a Justiça como extensão dos seus reinos podres.

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