Mais um caso envolvendo o véio da Havan

Acontecerá finalmente no dia 7 de novembro, no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, o julgamento do processo contra o prefeito de Bagé, Divaldo Lara, e seu vice, Mario Mena Kalil, ambos do PTB, e o empresário Luciano Hang, o autoproclamado véio da Havan, que assim se anuncia em propagandas e vídeos.

Todos são acusados, por ação de 2020 da chapa da coligação liderada pelo PT, do candidato Luiz Fernando Mainardi, derrotada na eleição municipal daquele ano. A ação é por abuso de poder econômico e chegou a ser engavetada em primeira instância.

O Ministério Público atendeu a recurso do PT e pediu o desengavetamento. A investigação voltou a correr e agora vai a julgamento no TRE.

Esses são as alegações do PT. No dia 11 de novembro de 2020, às vésperas da eleição, o véio da Havan desembarcou na cidade a bordo do jatinho da empresa e transmitiu uma live em que advertia: a instalação de uma loja da rede em Bagé dependia da vitória de Lara, candidato à reeleição.

No mesmo dia, o sujeito voou de jatinho a Santa Rosa e fez o mesmo apelo em favor do candidato Anderson Mantei (PP), que acabou eleito. Se não votassem em Mattei, Santa Rosa não teria uma loja da Havan.

No ano passado, o prefeito e o empresário foram absolvidos por sete a zero no TRE, porque a promessa (que o Ministério Público viu como coação aos eleitores) seria protegida pela liberdade de expressão.

Mas também esse caso de Santa Rosa pode ter outro desfecho, porque está em julgamento um recurso do PT no TSE em Brasília.

Lembrando que no ano passado, ao julgar recurso de caso semelhante, o TSE condenou o então prefeito de Brusque, Ari Vequi (MDB), e seu vice, Gilmar Doerner, além do próprio Hang, todos por abuso de poder econômico. A acusação: uso da estrutura da Havan para a campanha de Vequi.

Os três haviam sido absolvidos antes pelo TRE de Santa Catarina. Mas perderam no TSE. O prefeito teve o mandato cassado, e Hang ficou inelegível por oito anos.

É o que deve se repetir em Brasília, nos casos de Bagé e Santa Ros – mesmo que o TRE gaúcho venha a absolver os acusados de abuso em Bagé, como fez no ano passado em relação ao processo de Santa Rosa.

A promessa de instalação de filiais da Havan não foi cumprida, nem em Bagé nem em Santa Rosa. Mas, mesmo com as condenações, nos dois casos, não haverá reparação, porque já se passaram quase três anos de governo nas duas cidades.

O indivíduo que prometeu as lojas enfrenta pelo menos mais três investigações importantes. Desde 2019, no Supremo, no inquérito das fakes News, dos atos antidemocráticos e das milícias digitais; também no Supremo, desde agosto do ano passado, no caso dos oito tios do zap que trocavam mensagens golpistas (seis deles já foram dispensados por Alexandre de Moraes); e nos inquéritos da CPI da Covid (por incitação ao crime na pandemia), que até hoje não tiveram manifestação do Ministério Público, dois anos depois da entrega do relatório pela comissão.

Nos últimos dias, Hang foi notícia depois da descoberta da imprensa, um pouco tardia, de que um celular dele, apreendido pela Polícia Federal em agosto do ano passado, na investigação dos tios do zap, nunca foi aberto por peritos da PF.

O sujeito não forneceu a senha do aparelho e os investigadores não chegam ao seu conteúdo. É um caso único de celular indevassável, em meio a tantos aparelhos apreendidos e já abertos pela PF em outros casos envolvendo gente do entorno de Bolsonaro.

Por que o celular ficou tanto tempo fechado na PF, até Alexandre de Moraes informar recentemente que seu conteúdo era impenetrável e por isso mesmo desconhecido? Por que a grande imprensa não trata do assunto? Espera-se que um dia tenhamos respostas.

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