O aniversário do PT

Em janeiro de 2003, saí à procura dos fundadores do PT, dos que assinaram a ata da reunião do dia 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo. E escrevi sobre suas lembranças de um projeto que estava chegando ao poder com a posse de Lula.

Olívio Dutra era um dos 12 que assinaram a ata e o manifesto de criação do PT. O outro gaúcho era Lourin Martinho dos Santos, líder dos operários da construção civil, que não fez carreira política. Localizei a maioria dos fundadores pelo telefone – quase todos militantes do sindicalismo urbano ou rural.

Contei essa história quando o PT fazia 23 anos e muitos de seus líderes ainda arrastavam sandálias. Hoje, o partido faz 37 anos sob ataques de todo lado. Dentro e fora de casa. Nenhum outro partido, nem o Partidão, se açoitou tanto na história brasileira.

A idade do PT é a de quem sabe que já deveria ter vencido indecisões, mas que às vezes não se reconhece na trajetória percorrida e vacila quanto à própria maturidade. Reavaliar-se é um mérito do partido, coisa que a direita, sem lastro teórico no Brasil que a sustente como ideia, nunca conseguiu fazer.

Não fui e não sou ligado ao PT. Mas sei que um partido com seu perfil merece ser salvo do inchaço, dos pragmatismos às vezes oportunistas e às vezes ingênuos, dos descaminhos dos que se corromperam, dos erros como governo e da ilusão fatal de que poderia sentar-se com os que um dia iriam comandar o golpe. Os petistas e as esquerdas superestimaram a capacidade da direita de aceitar derrotas e se submeter à democracia.

Nomes que conseguiram preservar suas histórias e suas reputações merecem, por obstinação, perseguir uma nova chance para o PT. Coisa que PSDB e PMDB, tatuados como golpistas, não merecem mais.

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