O enigma Palocci

Um detalhe que parece irrelevante, mas que pode conter uma informação, às vésperas da delação de Palocci. O detalhe está nas duas notas emitidas pelo ex-ministro, na quinta e na sexta-feira, em resposta às delações de João Santana e de Monica Moura.

Santana e a mulher dizem que Palocci era o negociador dos pagamentos de caixa 2. E que Palocci contava que se submetia às ordens do chefe Lula.

Nas duas notas emitidas em resposta aos acusadores, o ex-ministro poderia se defender, dizer o que todos dizem, desqualificar os delatores e pronto. Mas não. Palocci vai além.

As notas, na sequência, têm o mesmo tom. A nota de sexta-feira diz o seguinte: “Primeiramente, não se conhece com precisão o exato teor dessa suposta delação. Independentemente disso, é certo que nessas ‘delações à la carte’ o cardápio que se apresenta para se oferecer liberdade é sempre o nome do ex-presidente e daquele que foi o principal ministro da Economia do nosso país. É o preço que está sendo cobrado pela liberdade impune”.

A nota anterior dizia quase a mesma coisa, e aí está o detalhe. Nas duas, o nome que aparece antes, como alvo dos delatores a ser defendido por Palocci, é o de Lula, não o de Palocci. O ex-ministro defende antes o ex-presidente, para somente depois se defender.

O preço da liberdade é a citação do “nome do ex-presidente”. Por que Palocci não se defende sem citar Lula?

E agora a pergunta: pode alguém que esteja articulado com os procuradores da Lava-Jato para delatar Lula emitir, às vésperas da delação, duas notas em que defende Lula?

Que papel teria um ex-ministro tão poderoso, como ele mesmo se define, que defende o ex-presidente, lembrando que ele é delatado como moeda de troca para a liberdade de criminosos, se viesse a usar a mesma tática para tentar sair da masmorra de Curitiba delatando Lula?

Outro detalhe. As duas notas foram emitidas pelo advogado de Palocci até sexta-feira, José Roberto Batochio, que logo depois abandonou o cliente por discordar da sua decisão de ser delator.

E agora? Palocci defendia Lula publicamente porque o advogado era Batochio? Ou aquilo foi uma senha? Ou não é nada disso? Aguardemos as próximas notas, ou a própria delação.

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