Qual é a tua, voto nulo?

Da série sobre os consolos depois da eleição, um pouco de referência histórica, para que não se desperdice o que ainda resta de fé na democracia.

O primeiro consolo é este: o cenário pós-golpe, com a eleição municipal na sequência, pode reproduzir o que ocorreu depois do golpe de 64.

O primeiro efeito é devastador para as esquerdas ou, como queiram, forças progressistas. A ditadura deu um baile nas eleições parlamentares de 1966, repetiu a dose em 1970 (quando houve campanha pelo voto nulo, como agora, e a Arena elegeu 24 senadores, e o MDB apenas um).

A ditadura só começou a ser questionada nas urnas a partir de 1974, quando as forças pela democracia se deram conta de que o voto nulo só dizia que o eleitor estava descontente, mas tinha efeito político imediato pró-ditadura.

É o que pode acontecer agora, respeitadas as peculiaridades de cada período (entre os quais o fato de que naquela época existiam apenas dois partidos, Arena e MDB, e sem eleições para governador e prefeito das capitais).

Desta vez, a direita que golpeou Dilma sai das urnas fortalecida pela desqualificação da política em meio à guerra seletiva contra a corrupção que só atinge as esquerdas.

A direita forrou o ponche, como aconteceu em 66 e 70. Mas a grande questão é: tem condições de repetir a dose em 2018?

Os votos nulos e em branco de 2016, que aplacam conflitos íntimos dos desiludidos, ajudaram a direita de forma decisiva (os números comprovam). Não há nenhum julgamento nessa evidência.

Mas é preciso saber qual é a utilidade desse voto que vá além da tentativa de pôr em xeque a legitimidade dos eleitos e, claro, aplacar o aperto no peito.

O não-voto tem um forte componente moral, com efeito político duvidoso, mesmo o alegado efeito da conscientização e da pressão pelas reformas políticas mais adiante (que reformas?).

Os votos nulos e em branco (mais as abstenções) de 2016 devem demonstrar sua utilidade em 2018, ou terão sido apenas isso mesmo, uma manifestação de desencanto, insuficiente para incomodar o projeto dos golpistas.

Se for assim, só a direita ganha com o não-voto, como sempre ganhou.

3 thoughts on “Qual é a tua, voto nulo?

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