A ARTE VENCE O FASCISMO

Faz bem ver os artistas sem medo nas ruas de Porto Alegre em performances pela resistência, representando o horror, a tortura, a violência e toda forma de repressão.

Só há uma chance de enfrentar a guerra fascista das mensagens via WhastApp que imbecilizaram o Brasil. Com a arte. Sem a arte não haverá salvação. Agora e depois da eleição.

Meu amigo Zé Adão Barbosa sabe. Também o Hique Gomez sabe. A Heloísa Palaoro sabe. O Heitor Schmidt, a Débora Finocchiaro, o Nestor Monasterio, o Artur José Pinto, o Lauro Ramalho. A arte que representa a dor, a bravura, o humor. E nos mantém em alerta. Fascistas odeiam humor.

Sabe disso o Marcelo Restori. O pessoal do Ói Nóis Aqui Traveiz, o Julio Conte, os estudantes de teatro, de cinema, de todas as artes. Os artistas de rua sabem disso.

O Zé Victor Castiel, o João França, a Renata de Lélis, a Celina Alcântara, o Antonio Carlos Falcão, o Fernando Waschburger, o Mario de Ballentti. O Álvaro RosaCosta sabe.

Sabem mais do que todos eles, porque sabem tudo mais do que todos nós, a Naiara Harry, a Sandra Dani, a Lurdes Eloy.

Sabe também, e sabe muito, essa gurizada que tem ido pra rua. Eles sabem que os jovens devem ir sempre na frente, que a arte desmoralizou a ditadura e pode agora desmoralizar os seguidores de Brilhante Ustra.

O autoritarismo odeia a arte, odeia mais do que o ódio que sente pelos pobres, pelos gays, pelos negros e pela democracia.

O fascismo será derrotado pelos artistas. Quando achar que está forte e imbatível, que dominou todas as estruturas do Estado, que domina a vida das pessoas, o fascismo irá sucumbir ao poder da arte.

O artista é o dedo na cara de quem elogia torturadores e de quem segue cegamente quem elogia torturadores. A arte tortura os fascistas.

Mas não vemos o mesmo do outro lado. O que Regina Duarte e sua trupe teriam a representar nas ruas?

Os artistas da extrema direita, que nada representam do que defendem e do que acusam, são tímidos ou são covardes?

Mais debatedores

Gente da própria direita de Porto Alegre estaria preocupada com o nível de seus representantes em debates recentes em TVs e rádios sobre os ataques à exposição do Santander, a situação de abandono de Porto Alegre e os impasses do golpe.
Alguns reacionários ficaram tão constrangidos com a qualidade do seu pessoal no confronto público que pensam em importar debatedores da extrema direita da Venezuela.
Seria o programa de atração de talentos Mais Debatedores da Direita. Mas ainda estão estudando pra ver se precisam pagar tarifa de importação.

Agora é Zoravia

Começa hoje a mostra Caminhos, com obras de Zoravia Bettiol. Para tirar um pouco o peso do que aconteceu com a exposição censurada do Santander, o atrevimento de Zoravia.

Para você se agendar! A partir dessa terça-feira (12 de setembro), 7 da noite, Zoravia Bettiol apresenta a mostra “…

Posted by Instituto Zoravia Bettiol on Wednesday, 6 September 2017

Vamos retomar Porto Alegre

O pretexto moralista, usado para censurar a exposição no Santander Cultural, é apenas a parte mais visível da ação predatória que a direita exerce em Porto Alegre.

Porto Alegre não é mais uma cidade, é um negócio. Essa apropriação, muitas vezes subterrânea, acontece há muito tempo na esfera econômica, espalha-se a outras áreas e chega ao ambiente cultural.

O que se passa agora é que a extrema direita, que também dá suporte às ações políticas dos governos, tanto no Estado quanto na Capital, passou a ser mais performática e teatral. Mas isso não é pontual ou casual. A direita tenta monopolizar Porto Alegre.

A única reação possível, sem saudosismos, é a que recupere a capacidade da população de debater e orientar seus destinos, como faziam urbanistas, arquitetos, artistas, estudantes, professores, sindicatos, políticos e gente de todas as áreas durante a ditadura.

Se a cidade enfrentou até a repressão militar e seus grandes interesses, por que não pode agora reagir aos que agridem a arte e tentam se impor politicamente em nome de um moralismo fajuto?

Porto Alegre não pode ser monopolizada por gestores medíocres e seus cúmplices. Porto Alegre não é deles. Vamos retomar Porto Alegre.

A direita manda na cidade e na arte?

Fui ao centro na sexta-feira à tarde para compras no Mercado Público e para ver a exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, no Santander Cultural.
Perdi o celular para um gurizão veloz na saída do Mercado, me desconcentrei com o furto e perdi a exposição agora cancelada por imposição dos reacionários da cidade.
Mas perdi mesmo e perdemos todos para a extrema direita, que agora também faz curadoria de arte. A direita pretende gerir Porto Alegre em todas as áreas. E a cidade vai se submetendo às ordens dos gestores da extrema direita.

A magia de Zoravia

zoravia

Começou hoje e vai até 11 de dezembro, no Margs, a exposição Zoravia Bettiol – o lírico e o onírico, com curadoria de Paula Ramos e Paulo Gomes.

É a comemoração dos 80 anos de vida e 60 de atividade desta artista completa. A arte de Zoravia nos dá a chance da magia, nesses tempos de excesso de racionalidade e enquadramentos. Zoravia nos faz sair das caixinhas.

É óbvio que eu vou (e mais de uma vez).  É de terça a domingo, das 10h às 19h.

Aves rapinantes

corrupto

Vou amanhã à Usina do Gasômetro para finalmente ver a exposição Brasília Céu Inferno, com 22 telas pintadas pela artista plástica Graça Craidy. São políticos que interagem com aves de rapina.

A ideia é boa e, pelo que vi até agora na internet, o resultado reforça a coerência do trabalho de Graça. A arte não pode virar as costas para a realidade que a desafia, em todas as frentes, a não ser indiferente.

Na mesma exposição, 25 fotografias de Brasília do arquiteto e artista visual Anaurelino Barros Neto, que faz também a curadoria. Como diz Graça Craidy, vivemos “um tempo histórico onde a arte se manifesta em nome da sociedade ferida”. Então, que se manifeste com vigor.

A exposição seria inicialmente encerrada neste domingo, mas vai agora até o próximo domingo, dia 11, com entrada franca, das 9h às 19h (só não abre na segunda-feira).