A CPI TAMBÉM FOI PALANQUE PARA A EXTREMA DIREITA

Tem fundamento a preocupação dos que se perguntam sobre os efeitos do palanque da CPI do Genocídio nos planos de fortalecimento político da extrema direita. O depoimento desta quinta-feira foi exemplar.

Poucos usaram tão bem a chance de aparecer como extremista assertivo quanto o empresário Otávio Oscar Fakhoury. Ele não se intimidou, como se avisasse à galera que o assistia: olha eu aqui na arena do Omar Aziz e do Renan Calheiros.

A pergunta que ronda a CPI foi amplificada pela performance do sujeito acusado de financiar fake news: o que a investigação ganha ouvindo um indivíduo do terceiro time do bolsonarismo?

O homem repetiu o que o véio da Havan havia feito na véspera. Posicionou-se como um cara de ação política. O véio também chegou anunciando que agora faz militância explícita.

Fakhoury disse em determinado momento que sonha em estar um dia ali naquele cenário. A fala assumiu um tom poético e contemplativo, enquanto ele olhava ao redor. Ah, eu aqui um dia.

Mas, ao mesmo tempo, era também uma ameaça: não pensem que, depois do que já fiz e faço e do que vou apresentar aqui, não posso vir a ser colega de vocês. ”Eu ainda não sou político”, disse o interrogado. Ainda não.

O véio de Havan quer ser alguma coisa, quem sabe senador, e Otávio Fakhoury talvez também queira. A CPI não conseguiu controlar o espetáculo desses dois, até porque os limites estabelecidos não funcionaram.

Fakhoury foi alertado várias vezes de que estava cometendo crimes, ao atacar as vacinas e defender as teses mais cruéis do negacionismo. Mas insistia e repetia tudo o que pensa, em nome da liberdade de opinião.

Referiu-se à própria família como um rebanho e assegurou que, no experimento de contágio coletivo, ninguém em casa foi vacinado e ninguém morreu ou foi internado por causa da Covid.

Fakhoury e o véio da Havan são fenômenos do bolsonarismo à espera de um teste efetivo de popularidade. A eleição pode testá-los. Os dois têm muito dinheiro e milhares de seguidores nas redes sociais.

Receberam agora o diploma de interrogados pela CPI, o que não é pouca coisa. O véio da Havan e o amigo de Eduardo Bolsonaro expuseram-se como guerreiros orgulhosos da missão que cumpriram na comissão.

Os outros interrogados têm, na maioria, outra índole e outros planos. Queriam apenas ganhar dinheiro com a cloroquina e as vacinas, e não marcar posição como militantes.

Se pudessem, os outros, os empreendedores, estariam quietos, apenas fazendo negócios, sem vínculos com ideologias e projetos políticos. Não é o caso do véio e de Fakhoury.

Esses dois capitalizaram os duelos na CPI para firmar posição, mesmo que com diferenças relevantes. Todos os jornais mostraram que o véio mentiu muito ao não assumir o que fez e o que pensa. Fakhoury não negou nunca o que defende.

Ambos se fortaleceram como heróis da extrema direita e se habilitam a seguir em frente até 2022. Duas figuras sem apreço pela democracia fazem uso da democracia para tentar corroê-la por dentro.

https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2021/09/30/cpi-luciano-hang-vacinas-bndes-atestado-de-obito-da-mae/?fbclid=IwAR2i6mpjyNjoprTYjU1k9L7Vbi4b_H86_TIEKHILqLzscoOSP8GbL-dvZ5w

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