E SE MORO CAIR?

Passa a ser provável, mais do que mera especulação ou torcida, a queda de Sergio Moro. E se o ex-juiz cair, como ficam o plano de defesa do cigarro nacional e outras questões que marcariam sua performance como ministro? E as suspeitas, como ficarão?

No caso do cigarro, haverá desperdício do esforço da indústria com uma pesquisa que atestaria as vantagens do produto brasileiro em relação ao paraguaio. E frustração com a expectativa de faturamento com a retirada de cena do garoto propaganda do cigarro que faz menos mal, segundo o próprio Moro.

O ex-juiz tem também compromisso com a indústria armamentista, ao defender desde que assumiu, ao lado do chefe, a liberação do porte de armas. Tem o pacote anticrime organizado. Tem a autorização para que policiais atirem sob forte emoção.

Mas outros compromissos de Moro, inclusive com Deltan Dallagnol, devem ser investigados, porque vão muito além das combinações sobre palestras pagas e conluios para conduzir delações e encarcerar Lula.

Até hoje não se sabe, por exemplo, qual foi a participação do ex-juiz no projeto da fundação com os R$ 2,5 bilhões da Petrobras.

Dallagnol só poderia levar adiante a ideia com o aval de Moro. Alguns dirão que a homologação do acordo que permitiria o uso do dinheiro não foi de Moro, mas da sua substituta, a juíza Gabriela Hardt, que estaria até hoje sendo investigada pelo Conselho Nacional de Justiça.

Só alguém muito ingênuo ou cúmplice das versões da Lava-Jato pode acreditar que a juíza, e não Moro, que comandou tudo por cinco anos, teria dado sinal para a criação da ONG bilionária do procurador.

Se Moro e Dallagnol caírem, essas e outras investigações devem ser levadas adiante. Por que Moro estava tão interessado na defesa do cigarro nacional? Por que o Ministério da Justiça recebeu, em reuniões secretas (fora da agenda), diretores da Taurus? O que Moro sabia e o que fez pela ideia da fundação de Dallagnol?

Mas as sindicâncias não podem ficar no âmbito administrativo, porque aí geralmente não resultam em nada. Devem ser conduzidas, como a Lava-Jato fazia com casos semelhantes, na área criminal.

Alguém terá de tomar a iniciativa de esclarecer as ações de Moro e Dallagnol, que até agora são tratadas como meros delitos ditos funcionais.

Se Moro cair, quem irá se atrever a pedir a formação de uma força-tarefa para investigar as suspeitas de crime dentro da Lava-Jato?

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