O APELO DE LUIS ARCE PARA EVITAR UM NOVO GOLPE NA BOLÍVIA

Só um desastre ou um novo golpe tiram de Luis Arce (foto) a chance de levar de volta ao poder a esquerda boliviana liderada por Evo Morales.

E são boas as chances de Andrés Arauz fazer o mesmo no Equador, em nome de uma frente articulada por Rafael Correa.

Ouvi as falas dos dois ontem à tarde numa das rodas de conversa da série de conferências online que a Internacional Progressista realiza até domingo.

Arce tenta resgatar, na eleição de 18 de outubro, o que o golpe tirou dos bolivianos em novembro do ano passado, quando Morales teve de renunciar diante de um motim policial com apoio dos militares.

Ele era o ministro da Economia de Morales. Participa agora da eleição a presidente como candidato do Movimento ao Socialismo (MAS).

A ‘justiça eleitoral” impediu Morales de concorrer ao Senado porque ele seria hoje morador da Argentina…

No Equador, Arauz, ex-ministro de Conhecimento e Talento Humano do ex-presidente Rafael Correa, disputa a eleição em fevereiro pela Frente União pela Esperança (UNES).

Seu vice deveria ser Correa, que também foi impedido pela ‘justiça eleitoral’ equatoriana de concorrer porque é considerado residente na Bélgica…

Correa enfrenta, como Lula teve de enfrentar aqui e Cristina Kirchner também enfrenta na Argentina, o cerco da Justiça tomada pela direita. O mesmo acontece com Morales.

Arce e Arauz assumem que não são apenas genericamente de esquerda. São socialistas.

Os dois deram o mesmo tom às falas de ontem: deve ser o compromisso não só de Bolívia e Equador, mas de toda a América do Sul, lutar pela volta de governos progressistas ao poder.

Mas Arce (que lidera as pesquisas e deve vencer no primeiro turno) tem um temor que é das esquerdas de todo o continente, e não só dos bolivianos.

Os golpistas vão tentar fazer de novo o que fizeram na última eleição, quando contestaram o resultado das urnas, com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA), e depois obrigaram Morales a deixar o governo.

“A imprensa internacional precisa vir à Bolívia, desde agora, e acompanhar o processo eleitoral até o fim”, disse Arce. “Essa é a missão dos jornalistas comprometidos com a democracia”.

Andrés Arauz também falou das articulações da direita para que o cenário político da América esteja sempre conturbado. E falou das perseguições da Justiça no Equador.

Arce e Arauz sabem bem o que Alberto Fernández e Cristina Kirchner estão enfrentando na Argentina, com a mobilização da direita – com o apoio da grande imprensa – por um novo golpe.

A estratégia dos jornais La Nacion e Clarín é criar atritos entre Fernández e Cristina. Para os dois jornais, o país está quebrado não por culpa dos cinco anos de Mauricio Macri, mas do novo governo. Que está há nove meses no poder.

Arce e Arauz estão começando uma caminhada por terrenos minados pelo fascismo.

(Abaixo, o link para algumas conferências da Internacional Progressista realizadas ontem, com tradução em espanhol).

https://www.youtube.com/watch?v=LdN59YlDigM&feature=emb_err_woyt

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