SÓ ELES PODEM NOS SALVAR

As vozes mais poderosas do Chile, há pelo menos 15 anos, são as vozes dos estudantes. Quem fala alto no Chile são os jovens que estavam prontos para derrubar Piñera com manifestações gigantescas em março, mas aí veio o coronavírus.

Na Argentina, a força das ruas é há muito tempo a das jovens militantes feministas dos lenços verdes, herdeiras da persistência e da valentia das Mães da Praça de Maio.

São dois exemplos próximos, para que se lance uma pergunta: por que não temos vozes de lideranças jovens no Brasil sequestrado pelo bolsonarismo?

Há muitas tentativas de resposta, quase todas remetendo para o que aconteceu em 2013, para os desvios de rota das manifestações e até para um certo sentimento de culpa com o golpe.

Não dá para fugir das tentativas de entender esse distanciamento das zonas de conflito, mesmo que parte da esquerda ache que o bom é não mexer em nada disso agora.

Outros dizem que os ‘antigos’ não devem se meter a entender o que se passa na cabeça dos jovens. Só eles sabem e têm autoridade para dizer o que sentem. É o argumento do lugar de fala.

Mas os velhos sabem mais o significado real de uma sigla como a UNE do que os jovens. A UNE não tem protagonismo desde muito antes do golpe.

O certo é que o mundo sempre dependeu dos jovens para instigar, afrontar, transformar e produzir esperanças, como fazem hoje os adolescentes ambientalistas da Europa.

O destemor é a virtude deles, como reformistas ou revolucionários.
Nós sempre achamos que os jovens vão, a qualquer momento, aparecer de cara pintada para nos salvar. Mas o que pode voltar a mobilizá-los?

Este seria um bom momento para o retorno dos estudantes às ruas. Os velhos ameaçados por Bolsonaro e pela pandemia merecem que o jovem volte a ser jovem.

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