As arapucas

Corre por aí, em escritos de jornalistas porta-vozes de tucanos e jaburus, que os petistas não poderiam comemorar a soltura de José Dirceu porque o juiz que desempatou a questão é Gilmar Mendes.

Tudo porque ele é considerado ídolo da direita e algoz das esquerdas. Festejar a soltura seria uma incoerência.

Não tenho procuração pra defender petistas, mas a premissa é enviesada. Seria como não comemorar um gol porque foi contra. Ou José Dirceu deveria pedir para ficar preso, para que não fosse beneficiado por Mendes?

Dizem também que tanto a soltura provisória de Dirceu quanto a outra decisão a favor de Lula no Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (Lula não precisa estar presente nas audiências de testemunhas em Curitiba) tratam do que não é essencial, para que o Judiciário possa depois voltar a agir contra o PT e contra Lula no que interessa.

São interpretações de movimentos imprevisíveis. Quem garante que toda ação da Lava-Jato terá sempre o desfecho esperado pelo pessoal de Curitiba?

No caso de Dallagnol, que tentou impedir a soltura de José Dirceu, é muita ingenuidade achar que o procurador correu o risco de desafiar o Supremo e perder, como perdeu, para jogar a população contra o STF, sair ileso dessa história e pegar quem quiser mais adiante.

Também é brabo tentar perceber como jogada ensaiada a tentativa do juiz Moro de impor a Lula a obrigatoriedade de presenciar os depoimentos das testemunhas e também levar um drible, desta vez do Tribunal Federal Regional, depois de ser massacrado por juristas como inventor de leis.

Os dois saíram, o procurador e o juiz, bem lanhados dos episódios. Dallagnol pela prepotência de encarar o Supremo. E Moro por mais uma barbeiragem como juiz de primeira instância que tenta impor suas vontades como se fosse absoluto.

E Gilmar Mendes? Este é o mais esperto de todos por ter mandado um recado à Lava-Jato e expressado o que todos os ministros do Supremo gostariam de dizer mas não dizem: que o STF, e não a primeira instância de Curitiba, é a mais alta Corte do país.

Dizem também, com aparente obviedade, que Gilmar Mendes quis, na verdade, preparar por antecipação um argumento para soltar os tucanos quando estes também caírem na masmorra da Lava-Jato.

Mas isso quer dizer então que alguém acredita que os tucanos serão presos?

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