Divagação

Uma divagação do domingo. Tenho aqui diante de mim, numa prateleira (nem sei como veio parar aqui perto), o livrinho de bolso da novela O Rapaz que suava só do lado direito, do Antônio Carlos Resende.
Tem 190 páginas em letrinhas socadas. Se tivesse mais de 300, seria um livrão, no sentido do acolhimento na época.
Resende foi um cara subestimado. E esta novela de 1978 também foi, talvez por isso mesmo, porque era de uma coleção pocket da RBS/Globo, não era um livro grande.
Uma moça de uma livraria me disse uma vez que gaúchos adoram livros grandes. Mas o que importa isso hoje?

Só de um lado

Uma divagação do domingo. Tenho aqui diante de mim, numa prateleira (nem sei como veio parar aqui perto), o livrinho de bolso da novela O Rapaz que suava só do lado direito, do Antônio Carlos Resende.

Tem 190 páginas em letrinhas socadas. Se tivesse mais de 300, seria um livrão, no sentido do acolhimento na época.

Resende foi um cara subestimado. E esta novela tão boa de ler também foi, talvez por isso mesmo, porque era de uma coleção pocket da RBS/Globo de 1978, não era um livro grande.

Mas o que importa isso hoje?

É duro ser independente

Os amigos abandonaram o homem do Jaburu. Muitos continuam fazendo onda, como se estivessem por perto, para não debandarem de repente. É apenas parte da encenação.

A revista Veja, por exemplo, deu capa ontem em seu site a uma reportagem que mostra o cerco do Tribunal Superior Eleitoral ao vice no exercício interino da presidência (até o próximo golpe para que um tucano assuma).

A reportagem, com texto precário (saudade dos bons tempos dos textos exemplares da Veja de Mino Carta), tem este título: “Novas evidências ampliam chances de cassação de Temer”.

O homem do Jaburu pode até ter correspondido às expectativas gerais da imprensa amiga, mas parece que não atendeu como devia algumas demandas mais específicas do meio. A imprensa independente está na dependência do atendimento de uma série de demandas. É duro ser independente no Brasil.

Alguém teria dito que João Santana disse que…

Manchete espetacular da Folha online, que ajuda a desmoralizar o próprio jornalismo:

“Dilma me alertou sobre prisão, diz

Santana para tentar destravar delação”

E a notícia verdadeira é esta, para quem vai bem mais adiante e lê a matéria (muito ruim): “Pessoas com acesso às investigações afirmaram que Santana diz ter sido avisado de sua prisão por um aliado de Dilma, a pedido da então presidente, com quem o publicitário tinha uma relação de amizade”.

1 – Pessoas com acesso às investigações?

2 – Essas pessoas dizem que Santana teria dito que teria sido avisado.

3- Avisado não por Dilma, mas opor um aliado de Dilma.

5 – O aviso teria sido feito a pedido da então presidente.

E isso aí vira manchete? Santana teria dito que um aliado teria…

O jornalismo da grande imprensa está fazendo um grande esforço para acabar antes do prazo previsto.

E ainda há quem pretenda comparar isso aí com o jornalismo americano, por mais imperfeito que este seja.

Por onde andam?

Aos sábados, sempre me lembro dos bons tempos em que o Jornal Nacional chamava os amigos para entrevistas.

Sábado era dia de ouvir o Zé Agripino, o Álvaro Dias, o Pauderney, o Jucá e o Caiado palpitando sobre qualquer assunto contra o PT e as esquerdas, em suas casas, sempre ao lado de um abajur ou de uma samambaia.

Tenho saudade das entrevistas do Jornal Nacional com os cenários das samambaias. Por onde anda o Zé Agripino?

O Banrisul e os bueiros

Estão dizendo com insistência que não vão vender o Banrisul. Agora, talvez não. Não hoje, nem amanhã, mas uma hora vão. É irreversível. Eles vão vender tudo no Brasil, no Rio Grande do Sul, na Bahia. A Caixa Federal, o Banco do Brasil, a Petrobras, os fios de cobre da iluminação pública, o serviço de água, tudo, tudo.

Se o juiz Sergio Moro dissesse que os delatores pertencem ao serviço público, como acreditam em tudo que o juiz diz, até os delatores seriam vendidos. Tudo se vende hoje, se a coisa pertence ao Estado, ou seja, se é de todos nós.

Vendem a preço de banana, de alface, de rabanete. Os homens no poder hoje, na maioria das cidades e Estados, foram programados para vender ou fechar tudo. A única tarefa deles é se desfazer do que o setor público tem.

Os serviços podem ficar ainda piores, porque assim eles venderão o que sobrar, sempre sob o argumento de que não funcionam.

Os governantes hoje são tarefeiros dos que pretendem se apoderar de todo o Estado. É uma tarefa velha, se sabe, mas que foi aperfeiçoada com os efeitos ‘moralizadores’ do golpe.

Aqui no Rio Grande do Sul, quando venderem o Banrisul e o pouco que resta, sobrará para o Estado apenas o Sartori.

A prefeitura de Porto Alegre ficará apenas com as tampas de bueiros que estão afundando. O prefeito da Capital daqui a pouco será gestor de tampas de bueiros que afundam. Se é que não vão quer vender os bueiros.

Previsões

Hoje pela manhã o delegado Igor Romário de Paula, chefe da Lava-Jato na Polícia Federal, previu que a prisão de Lula pode acontecer dentro de 30 ou 60 dias.
Estamos todos aguardando a previsão do delegado Igor sobre a prisão de Eike Batista. Eike fugiu do Brasil 11 dias depois (ONZE!!!) de um juiz ter assinado o despacho com a ordem de prisão.
Quando a Polícia Federal chegou à casa de Eike, ele já abanava a franja da peruca ruiva pelas ruas de Nova York. A culpa, dizem, é dos computadores…
Mas aguardemos as novas previsões.

ONZE DIAS!!!

Leio agora que um juiz assinou a ordem de prisão de Eike Batista 11 dias (ONZE!!!) antes da viagem do empresário para Nova York.
Em 11 dias, hoje, seria possível ir e voltar da Lua duas vezes. Mas quando a Polícia Federal foi buscá-lo em casa, na manhã de quinta-feira, ele já desfilava na Quinta Avenida.
Dito isto, é bom lembrar que são muitas as suspeitas sobre os pedalinhos de Atibaia, mas não há, dizem os jornais, nenhuma suspeita sobre a vergonhosa demora até a execução da ordem de prisão e sobre a fuga de Eike Batista.
Então tá. Voltemos aos pedalinhos.

Jornalismo e futebol

Comparar  e tentar equiparar a imprensa americana à imprensa brasileira é mais ou menos como comparar o futebol americano (o jogado com os pés) ao futebol brasileiro.
E, mesmo assim, muitos continuam comparando, por causa dos ataques do governo Trump aos jornalistas e porque (imagine a comparação) Lula também critica a imprensa aqui.
A imprensa americana é, por vocação e como negócio, uma imprensa liberal conservadora agora sob o ataque de uma aberração política de direita.
A imprensa brasileira que teme Lula é reacionária e golpista, desde Getúlio, e aperfeiçoou essa vocação antes e depois da trama de agosto que cassou Dilma Rousseff.
Ah, mas tem grandes jornalistas. Claro que tem, mas essa é outra história. O futebol americano, o soccer deles, também tem grandes jogadores.