MENOS EDITORIAIS E MAIS JORNALISMO

Há uma certa excitação entre jornalistas com o editorial em que a Folha condena “a sofreguidão com que Moro se prontificou a participar do governo Bolsonaro”.

Os Frias descobriram só agora que a cumplicidade do ex-juiz com a extrema direita “abalou sua credibilidade e, por extensão, a da Lava-Jato”.

O que isso significa, enquanto a conta dos mortos da pandemia passa dos cem mil? Nada. Significa apenas que o editorial teve grande repercussão entre jornalistas.

Um editorial do Globo, da Folha ou do Estadão dizendo que Moro era messiânico é como uma paisagem, uma árvore ou um campo com geada.

Um editorial da grande imprensa e um poema do poeta concretista Anauréclito Expedito do Espírito Santo valem a mesma coisa. Com a vantagem de que o poeta Anauréclito não existe.

Um editorial de um jornal arrependido, mesmo que expresse a posição de uma grande corporação da velha mídia, não tem hoje valor algum.

O editorial que eles publicam não será lido por quase ninguém, além dos jornalistas, porque pouco importa o arrependimento de Globo, Folha e Estadão como criadores da Lava-Jato e de Bolsonaro.

Além de não significarem nada como expressão política, são cada vez mais precários. Foi-se o tempo em que um editorial, mesmo sem dizer muita coisa, nos oferecia o prazer da leitura de textos parnasianos.

Hoje, um editorial colegial contra Sergio Moro, Bolsonaro e até contra os militares vale uma nota falsa de R$ 200. Até porque editoriais não são produtos virtuais abertos, mas artigos acessíveis apenas aos assinantes dos jornais.

Só os que pagam para ler Estadão, Globo e Folha ficam sabendo na fonte que eles agora condenam Moro e Bolsonaro. Os três alardeiam que são contra seus ex-parceiros, mas cobram para que suas posições sejam conhecidas.

É constrangedor para um leitor descobrir, no impulso da curiosidade, que deve pagar para ler os editoriais dos jornalões arrependidos do que fizeram no inverno de 2016.

O certo é que mil editoriais golpistas não serão anulados por um ou dois editoriais com pedidos de remissão. Não há como ser misericordioso com os cúmplices de Bolsonaro.

O jornalismo da grande imprensa vive de arrependimentos intermitentes. Um editorial hoje pode ser apenas um truque para que os jornais tenham mais adiante a prova forjada de que abandonaram suas criaturas.

Jornais que contribuíram para a ascensão de um déspota não precisam publicar editoriais com o tom constrangido de pedidos de perdão. Precisam apenas fazer jornalismo.

2 thoughts on “MENOS EDITORIAIS E MAIS JORNALISMO

  1. Por isto Que Eu Peço a Mãe Natureza Que Faça, Através Do Coroninha , justiça CONTRA Estes Bandidos Da Imprensa. Que o Corona De Um bafo Na Nuca Destes Canalhas!

  2. “Nem os vencedores, nem os perdedores escrevem a História, mas sim os que
    entalham a pedra…”
    Este é o princípio que norteia essas EMPRESAS de comunicação e informação…
    Sempre serão “invisíveis” (leia-se imparciais), como o vidro de uma janela:
    leigos dirão que, se há sujeira, ela estará no mundo lá fora, e não no vidro.
    E assim, seguem entalhando a pedra para os ingênuos das gerações vindouras …

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