O ESFORÇO PARA COLOCAR BOLSONARO ONDE ELE NÃO CONSEGUE CHEGAR

É comovente o esforço de Folha, Globo e Estadão (e assemelhados) para dizer que Bolsonaro está reagindo. Percebe-se um certo alvoroço nas manchetes e no colunismo da imprensa que não tem mais o que fazer para salvar Sergio Moro.

Há jornalistas mais excitados do que os bolsonaristas com a pesquisa mais recente do Datafolha. A tática aqui é disseminar algum medo e tentar ressuscitar a ideia da terceira via como uma aglomeração.

O que eles gritam é que Bolsonaro volta a ser competitivo, na busca desesperada por um nome salvador em torno do qual se reúnam todos os que têm hoje 22% somados, incluindo o 1% de Eduardo Leite.

Folha, Estadão e Globo dizem ao leitor-ouvinte que representa a média da sua clientela conservadora: olhem o que pode acontecer se a turma de vocês não se juntar em torno do menos pior.

O que a pesquisa mostra é uma recuperação de Bolsonaro entre o seu eleitor padrão, acrescido do humor circunstancial de pobres e miseráveis sob o efeito do Auxílio Brasil.

O grande lastro de sustentação do bolsonarismo continuam sendo o eleitor de alta renda fiel à extrema direita e o de classe média bem mediana, que chegou a vacilar um pouco no fim do ano passado.

Bolsonaro é, num resumo que só parece ser simplista, o candidato dos tiozões e das tiozonas bem de vida ou da base da classe média remediada. Muitos desses eleitores deixaram de ser vacilantes.

Em dezembro, 53% dos eleitores com renda de até cinco salários mínimos apoiavam Lula e 36% estavam com Bolsonaro. A pesquisa divulgada nesta quinta-feira mostra que agora o apoio é de 45% para Lula e de 43% para Bolsonaro.

Esse contingente decidiu tapar o nariz e aceitar Bolsonaro como ele é. Boa parte dessa classe média vizinha dos pobres e que se confunde com eles voltou para os braços de Bolsonaro.

Há um dado que capta o sentimento nessa faixa que vai aos poucos reassumindo, sem muito pudor, o engajamento ao bolsonarismo.

Em dezembro, apenas 36% dos entrevistados do Datafolha diziam ter votado em Bolsonaro no segundo turno de 2018. Havia um certo constrangimento em admitir que tinham apoiado o sujeito.

Agora, 41% declaram que votaram nele. Sempre lembrando que Bolsonaro foi eleito com 55% dos votos em 2018.

Há uma melhora momentânea no sentimento de que votar em Bolsonaro não significa algo tão constrangedor a ser escondido até mesmo de pesquisadores.

Os tios moderados estão se reagrupando aos mais extremistas: se a terceira via não existe, que Bolsonaro nos salve de novo.

O certo é que, na pesquisa geral, Lula continua com boa vantagem de 34% contra 26% de Bolsonaro. No segundo turno, Lula vence com 55% contra 34%. É muita diferença.

Lula reafirma outras posições já consagradas, como os 55% de preferência no Nordeste e os 51% entre os jovens.

E o mais importante: Lula tem hoje 51% dos votos entre os eleitores com até dois salários mínimos, contra 19% de Bolsonaro.

Mulheres, jovens e pobres não querem saber de Bolsonaro, e os evangélicos estão divididos ao meio. No geral, Lula tem 37% de rejeição, Bolsonaro tem 55%.

Só quem se entusiasma com a “reação” de Bolsonaro é a bancada da GloboNews e seus satélites nos jornalões. A grande imprensa finge acreditar no que nem Bolsonaro acredita mais há muito tempo.

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