O ROTEIRO DE UM PROVÁVEL CRIME

Bolsonaro viajou aos Estados Unidos com uma grande comitiva e retornou ao Brasil no dia 11 de março.

A partir daí, acontece a sequência de fatos que podem ajudar a esclarecer o mistério dos laudos de Bolsonaro sobre o coronavírus.

O sujeito se nega a entregar os dois laudos de exames anunciados oficialmente, o que amplia as suspeitas de que pode ter sido infectado e, como estava assintomático, mantido a doença em segredo.

São dois os exames reconhecidos pelo governo. Há outros não revelados?

Esse é o roteiro de um provável infectado:

Dia 12 de março – O secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, faz o teste e divulga que está com a doença. No mesmo dia 12, Bolsonaro faz o teste e anuncia que deu negativo.

Dia 15 – Os jornais noticiam que há 11 infectados entre os integrantes da comitiva da viagem aos EUA. No mesmo dia 15, Bolsonaro abraça e cumprimenta pessoas numa cerca, em aglomeração na frente do Palácio do Planalto.

Dia 17 – Continua crescendo o número de infectados no governo, além de membros da comitiva de fora do Planalto. Bolsonaro faz o segundo teste, e o governo informa que deu negativo de novo.

Dia 18 – O teste do general Augusto Heleno dá positivo.

Dia 20 – Bolsonaro diz em entrevista que não é uma gripezinha que vai derrubá-lo.

Dia 24 – Bolsonaro diz na TV que, se pegasse o coronavírus, não aconteceria nada com ele, talvez uma gripezinha, porque é um homem forte e com ‘histórico de atleta’.

Dia 9 de abril – Bolsonaro sai a caminhar pelas ruas de Brasília, entra numa padaria, na Asa Norte, e cumprimenta as pessoas na rua.

Dia 10 – Bolsonaro visita o Hospital das Forças Armadas, depois entra em uma farmácia, no setor sudoeste, sempre seguido por aglomerações, e visita um prédio residencial. É o dia da cena em que passa a mão no nariz e depois cumprimenta uma idosa.

Dia 18 – Bolsonaro grava um vídeo, na rampa do Planalto, e depois desce em direção a uma aglomeração e cumprimenta as pessoas.

Dia 19 – Bolsonaro discursa, tossindo muito, em manifestação pró-ditadura diante do Quartel General do Exército do Brasília.

Quase todos os dias da semana, nesse período, Bolsonaro fez o que é rotina: conversou com as pessoas (algumas ele cumprimentava, de outras pegava o celular) no cercado Alvorada.

O comportamento de Bolsonaro, a partir do primeiro teste que teria dado negativo, é de quem decide enfrentar a pandemia no peito e na raça. Por quê?

É bem provável que Bolsonaro, desde as primeiras saídas, já tivesse a certeza de que havia sido infectado na viagem. A doença não havia se manifestado e ele teria adquirido anticorpos.

A decisão é de esconder o laudo do teste, porque Bolsonaro não admitiria a hipótese de se recolher em quarentena.

O ‘destemor’ de Bolsonaro, a declaração repetida sobre a gripezinha, sempre com ar de desdém, a insistência da exposição pública com contato direto com as pessoas, a defesa intransigente do fim do isolamento social, tudo isso caracteriza um homem seguro de que a pandemia nada significa para ele.

Bolsonaro se sentiu imune a tudo, porque pode ter sido informado por alguém de que não pegaria mais a doença (o que não é verdade, segundo os cientistas) e não infectaria ninguém.

Foi isso mesmo, ou Bolsonaro correu o risco de infectar as pessoas do seu entorno e as que encontrou nas ruas de Brasília? Bolsonaro agiu criminosamente?

Precisamos do laudo reclamado pelo Estadão, em nome da transparência. Bolsonaro já deu, em Porto Alegre, uma pista de que pode ter sido infectado, o que talvez indique uma tentativa de atenuar um pouco as surpresas que virão.

Libera os laudos, Bolsonaro, antes que a situação se complique.

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