VINHA AÍ DE NOVO A HISTÓRIA DA FACADA

O ministro Alexandre de Moraes acolheu o argumento do PDT de que a nomeação do delegado amigo da família era “desvio de finalidade”.

Por outra interpretação, não necessariamente jurídica, pode ser dito que todos sabem muito bem qual é finalidade nesse caso.

Os manos estavam prontos para tentar barrar as investigações da PF que caminhavam na direção de todos eles, por envolvimento com a fábrica de fake news dentro do governo e com os atos pró-ditadura patrocinados com verbas públicas.

Moraes estraga a festa que os garotos haviam preparado para o delegado amigo. Alexandre Ramagem não assume, pelo menos enquanto for mantida a liminar do ministro.

Os manos desejavam mais do que trancar investigações. Bolsonaro deu a senha do que eles desejam, ao comparar seu caso com o de Marielle.

Os Bolsonaros querem trazer de volta as ‘suspeitas’ em torno de Adélio como um assassino a mando de esquerdistas.

A facada pode ser uma das cartas mofadas na manga dos Bolsonaros para tentar desviar a atenção da pandemia, do medo de golpe, do controle exercido pelos generais, do desespero com o desemprego e outros horrores.

Bolsonaro acha que Moro não mandou a PF investigar a facada como deveria, enquanto se preocupava com o assassinato de Marielle.

Foi o que ele disse quando comentou, na fala da sexta-feira da semana passa, o pedido de demissão do ex-juiz.

O novo delegado amigo poderia cuidar dessa preocupação de Bolsonaro, ou não teria sentido nomear um homem próximo da família e não levar o caso Adélio adiante, nem que seja para levantar polvadeira.

Podem dizer que o caso está encerrado, com a decisão da Justiça de acolher o laudo que trata Adélio como doente. Podem dizer o que quiserem, porque os Bolsonaros acham que podem tudo, inclusive reabrir a lenda da facada.

O desespero do pai e dos filhos não é nenhuma prova de que poderão aparelhar o Estado, mas de que estão cada vez mais frágeis e encurralados.

O Supremo, mais do que o Congresso comprado, nos mantém com alguma esperança de que é possível enfrentar o cabo e o soldado (sem o jipe) a mando dos milicianos.

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MORAES E FACHIN
Quem diria que Alexandre de Moraes e Edson Fachin caminhariam em sentidos inversos aos esperados.

Aliás, quem sabe direito para onde caminha Edson Fachin? Se é que caminha, porque pode estar parado.

Um enfrenta o cabo, o soldado e o jipe, e o outro parece querer pegar carona no jipe.

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O ISOLAMENTO AMEAÇADO?
O Datafolha oferece números para a montagem do cenário que nos aguarda.

As pessoas que apoiam o isolamento passaram de 60% no início de abril para 56% no dia 17 e são agora 52%.

3 thoughts on “VINHA AÍ DE NOVO A HISTÓRIA DA FACADA

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