O fim de Michel Temer

O Brasil tem um presidente que deixou de ser notado. Mesmo que se leve em conta o ambiente de consternação, em que não havia espaço para mais nada, foi premonitória a reação de total indiferença à presença-ausência do homem do Jaburu em Chapecó.
As pessoas que foram ao funeral o ignoraram. Não foi vaiado, não foi aplaudido, não foi nem citado. Não foi percebido. Até o presidente da Fifa falou em homenagem aos mortos. O presidente da República não disse nada. Nada.
Acovardado, encolhido, escondido pelas câmeras da TV Globo, foi como se não estivesse ali num evento que comovia o mundo. Ninguém do cerimonial fez referência ao seu nome.
Michel Temer é uma excrescência criada pelo golpe. O Brasil tem um presidente insignificante e invisível.
Abandonado pelos parceiros, desprezado pelos empresários e pelos amigos da imprensa, Temer é uma figura solitária, sem base política, sem lastro popular, sem voto, sem cúmplices importantes, sem nada.
Os que inventaram Michel Temer como um dos personagens mais patéticos da República deveriam pedir desculpas ao país. Temer é uma aberração política. Não representa mais nem os golpistas que o sustentavam.
O velório coletivo de Chapecó pode ter marcado o fim de um governo que jamais deveria ter começado.

A tragédia e os jornalistas

Ninguém é mais alegre e feliz no jornalismo do que um repórter de futebol. Dos 20 jornalistas mortos no avião da Chape, a metade era uma gurizada. Estava vendo agora seus retratos no site do Globo.
O futebol é o campo de entrada de muita gente na profissão e uma área ainda povoada de veteranos, apesar do desprezo de certas organizações com quem tem mais de 50 anos.
A tragédia acaba com projetos pessoais e familiares e com talentos que ajudariam a configurar mais adiante a nova imprensa do século 21. Os que morreram davam forma ao jornalismo que vem tentando ser diferente do que se faz até hoje.

O caráter da Chapecoense

Leio pouco sobre futebol, além dos comentaristas que admiro. Mas li bastante sobre o fenômeno Chapecoense nos últimos meses.
Sabemos que a tragédia se abate sobre vidas e sobre uma ideia, sobre um novo modelo de clube que vinha sendo construído no futebol brasileiro, na contramão dos cartolas corruptos e aproveitadores.
Agora há pouco li uma frase do presidente do conselho deliberativo, Plínio David De Nês Filho, em que ele diz que “dinheiro demais pode atrapalhar”, e rejeita que um clube tenha de sobreviver de ajuda oficial.
“O nosso modelo evita depender de cofres públicos. Acreditamos que a prefeitura não precisa investir no futebol, mas na educação e na saúde da população”.
Que esse caráter da Chapecoense sobreviva e inspire o surgimento da nova geração de gestores de um futebol onde ainda há dinheiro demais e gestão e honestidade de menos.