Calhorda

Um dos momentos mais calhordas de toda essa situação criada pelo Supremo censor foi o do Alexandre Garcia dizendo que teme ser perseguido pelo Judiciário.
É muito deboche. Um sujeito que foi porta-voz da ditadura, que depois ficou décadas na Globo como porta-voz da direita, exercendo seu papel de antiLula e antiPT com toda fúria, e que nunca defendeu liberdade alguma, falando agora de censura e de medo.
Garcia foi porta-voz de um regime que disseminou o medo e o terror e que dominou e desqualificou o Judiciário. O brabo é que tem gente que acredita na conversa fiada desse sujeito de que ele é crítico da Justiça e que por isso pode ser perseguido.
Alexandre Garcia, que agora bajula Bolsonaro, deve ter medo de ser perseguido pela própria consciência.

A despedida

Publico o texto em que o diretor de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, despede-se de Alexandre Garcia.

Compartilho porque é muito pobre, é colegial, é para estudantes de jornalismo saberem o que não podem escrever.

Eis a obra do senhor Kamel:

“Conheci pessoalmente Alexandre Garcia em 1991, quando fui diretor do jornal O Globo em Brasília e ele era o diretor regional de jornalismo da Globo na capital.

Costumávamos nos encontrar às terças, quando o saudoso Toninho Drummond, então diretor da Globo em Brasília, oferecia um almoço com fontes e nos convidava. Percebi em Alexandre, de imediato, o homem que ele é: correto, íntegro e também extremamente gentil e generoso.

Ele, um super consagrado jornalista, com presença marcante no vídeo, além das atribuições editoriais do cargo; eu, um recém chegado a Brasília, com 29 anos, nove anos de profissão.

Apesar disso, Alexandre me tratava como um igual e me ajudava no que podia. Ao chegar à Globo em 2001 reencontrei o mesmo Alexandre: profissional completo, com conhecimento de pós-graduado na cobertura política, mas o mesmo homem gentil que eu conhecera 10 anos antes.

Em decisão muito refletida, depois de quase 31 anos de trabalho aqui na Globo, Alexandre decidiu deixar a emissora para amenizar um pouco o seu ritmo frenético de trabalho. Diante do trabalho exemplar ao longo de todos esses anos, é uma decisão que respeito.

Ele deixa um legado de realizações que ajudaram o jornalismo da Globo a construir sua sólida credibilidade junto ao público. O trabalho na Globo foi a sequência de uma vida profissional que poucos podem ostentar. 

A naturalidade frente às câmeras sempre foi um dos trunfos de Alexandre. Consta que quando começou na Globo, o saudoso Armando Nogueira dizia que ele estava inovando porque fazia gestos na televisão.

Enquanto a norma era uma postura mais formal, Alexandre caminhava, fazia gestos. Essa naturalidade vinha de criança. Aos sete anos já atuava como ator infantil na rádio em que seu pai, o radialista Oscar Chaves Garcia, trabalhava.

Aos 15, transmitia a Missa na Rádio de Cachoeira do Sul, onde nasceu em 1940. Aos 16, era locutor, redator, apresentador, repórter de rua da pequena rádio Independente de Lajeado. Ao se mudar para Porto Alegre para continuar os estudos, virou locutor da Rádio Difusora, dos Diários Associados.

Ele conta que o salário pagava a pensão e a escola. Quando entrou na PUC-RS para estudar Comunicação Social (onde foi o primeiro lugar no vestibular e no curso todo e presidente do Centro Acadêmico) era funcionário concursado com primeiro lugar no Banco do Brasil.

Agora era o bancário sustentando os estudos do futuro jornalista. Conseguiu seu primeiro estágio na sucursal do Jornal do Brasil na capital gaúcha. Especializou-se na cobertura de economia, com ênfase na Bolsa de Valores. Ao ser contratado pelo JB, apostou no seu talento como jornalista e encerrou sua carreira de bancário. 

Em 1973, cobriu o fechamento do Congresso uruguaio, que deu início à ditadura militar no país. Foi transferido então para Buenos Aires, onde ficaria três anos, acompanhando a agonia do governo peronista e a crise que levaria também ao golpe militar. Alexandre teve que deixar a Argentina às pressas depois de uma reportagem em que denunciava o esquema de corrupção da polícia rodoviária argentina próximo à cidade de Mar del Plata.

De volta o Brasil, foi trabalhar na sucursal do JB em Brasília, onde permaneceu dez anos, firmando-se como um bem sucedido repórter de política. Em 1983, estreou no vídeo na extinta TV Manchete.

É dele a entrevista do último presidente militar, João Figueiredo, de quem foi porta-voz por um período. Foi a antológica entrevista em que Figueiredo disse: “Eu quero que me esqueçam!” Continuou a carreira como correspondente internacional cobrindo as guerras civis no Líbano e Angola – e a Guerra das Malvinas, o que lhe valeu a Ordem do Império Britânico, concedida pela Rainha Elizabeth II. Em março de 1988, a convite de Alberico Souza Cruz, começou a trabalhar na TV Globo de Brasília. Entre seus primeiros trabalhos, um quadro no Fantástico que levava o seu nome: A Crônica de Alexandre Garcia, em que divertia os brasileiros com gafes e bastidores do mundo político da capital, num texto irresistível. Como repórter especial dividia-se entre o JN, o JH e o Jornal da Globo.

Participou de momentos memoráveis da história recente do Brasil como as primeiras eleições democráticas para presidente, em 1989, depois da ditadura militar. Ao lado de Joelmir Betting, entrevistou todos os candidatos no programa Palanque Eletrônico. Ainda foi um dos mediadores do debate de segundo turno entre Lula e Fernando Collor, realizado em pool pelas quatro grandes emissoras de então, Globo, Band, SBT e Manchete. 

Entre 1990 e 1995, como disse, Alexandre Garcia foi diretor regional de jornalismo da Globo de Brasília, sem deixar de lado seu trabalho frente às câmeras. Em 1993, estreou como comentarista do JG, em 96, passou a ter um programa na GloboNews, Espaço Aberto. De 2001 a 2011 foi o âncora do DFTV.

Comentava, analisava, cobrava das autoridades soluções para os muitos problemas que afetam os brasilienses. Nos últimos anos, tornou-se comentarista político do Bom dia Brasil, comentarista local diário do DFTV e faz parte do grupo de apresentadores que se reveza na bancada do JN aos sábados. Durante todo esse período, não houve cobertura de política no Brasil sem que ele brilhasse. 

Em nossa conversa, Alexandre me disse que deixa a Globo, mas não o jornalismo. Ele continuará a ter seus comentários políticos transmitidos por duzentas e oitenta rádios Brasil afora. Do mesmo jeito, continuará a escrever artigos para um sem número de jornais por todo o país. E, entre seus planos, está o de acrescentar outro títulos ao seu livro de grande sucesso “Nos Bastidores da Notícia”, lançado em 1990 pela Editora Globo. 

Em nome da Globo, eu agradeço tudo de grande que Alexandre fez para o jornalismo da emissora, um legado que deve inspirar a todos nós que aqui trabalhamos: profissionalismo, brilho, correção e competência. E eu agradeço tudo o que fez por mim, seu jeito gentil, sua generosidade. Muito obrigado Alexandre, um grande abraço, que você seja muito feliz, porque você fez por merecer.”

ADIÓS, GARCIA

A Globo suportou Alexandre Garcia no peito e na raça por décadas, como retribuição pelos bons serviços prestados quando foi porta-voz da ditadura no governo de Figueiredo.
Mas não suportou o desplante do sujeito que decidiu manifestar apoio explícito a Bolsonaro, dentro da empresa que abriu guerra contra o eleito da extrema direita.
Alexandre Garcia acaba de bailar. Não teremos mais Alexandre Garcia como estepe do Jornal Nacional. Mas tentem adivinhar para onde está indo Alexandre Garcia.
No texto de despedida, Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo, apresentou todo o currículo com todas as virtudes do demitido, mas esqueceu o que nenhum aprendiz de jornalismo iria esquecer: que Alexandre Garcia, um dos jornalistas mais reacionários produzidos pela própria Globo, foi porta-voz de um ditador.

DESAFIO

Tem um jeito de acabar com a conversa sobre a imparcialidade da imprensa.
Se as empresas têm certeza de que atuam com imparcialidade e defendem os interesses da maioria (e não só em vídeos de 15 segundos), que enviem a Curitiba, para a cobertura do 1º de Maio, seus grandes nomes.
Que enviem sem medo a Curitiba Merval Pereira, Alexandre Garcia, Diogo Mainardi, Ricardo Boechat, Ali Kamel, Augusto Nunes, Ricardo Noblat, Cristiana Lobo, Ruy Castro, Eliane Catanhede e outros.
O desafio está lançado. Se qualquer um desses nomes, um só, for capaz de cobrir hoje um evento que reúna povo, estará provada a imparcialidade da imprensa.

O ascoso

Alexandre Garcia, porta-voz de Figueiredo na ditadura e uma das aberrações do jornalismo brasileiro, lendo no Jornal Nacional, com cara de sério, as notícias sobre Lula na Lava-Jato.

O ascoso Alexandre Garcia, que sabia da ditadura o que muitos jornalistas de verdade gostariam de saber (até porque era porta-voz e bajulador, como mostram vídeos no youtube), é hoje a melhor imagem da Globo sem disfarces.

A presença do porta-voz de um regime que torturou, matou e escondeu cadáveres, agora na bancada do principal jornal do grupo, mostra bem o que é a Globo.

Os Marinho não têm o menor interesse em se desvincular desse período, apesar da farsa dos pedidos de ‘desculpas’ pelo apoio aos ditadores. Certas dívidas com a ditadura e seus prepostos são impagáveis.

A presença de Alexandre Garcia preserva a ponte entre a Globo e a memória da ditadura que a família ajudou a articular e sustentar.

O porta-voz

Me perguntam se não vou comentar as agressões verbais de um passageiro a Alexandre Garcia, no aeroporto de Brasília.
Só digo que Garcia deve saber se defender, com o poder e o canhão midiático que tem, em tempos de democracia (mesmo que capenga).
No tempo em que ele foi porta-voz da ditadura, isso dificilmente teria acontecido. Porque naquele tempo só a turma para quem ele prestava serviços e seus cúmplices podiam dizer o que pensavam sem correr sérios riscos.

Os zumbis da Globo

O Jornal Nacional ressuscita a ditadura de várias formas. Ontem, Golbery do Couto e Silva, poderoso ministro de Figueiredo, ganhou espaço como zumbi para que a Globo atacasse Lula.
Hoje, o apresentador do JN foi o sinistro Alexandre Garcia, porta-voz da ditadura do governo do mesmo Figueiredo, que em 1980 mandou prender Lula.
Só falta uma aparição do fantasma do próprio Figueiredo de braços dados com o fantasma de Roberto Marinho.

 

A mentira

Mais uma do ex-porta-voz do governo do ditador João Figueiredo, hoje comentarista de democracia da Globo e apresentador eventual do Jornal Nacional.
O ex-serviçal da ditadura pede desculpas de um jeito em que fica parecendo que o ”erro” foi cometido pelos guias de Punta del Este. Este é o jornalismo brasileiro.
Leia o texto e ouça logo abaixo a fala do sujeito sobre a mentira que inventou:

www.revistaforum.com.br/2016/11/13/alexandre-garcia-se-retrata-por-ter-mentido-sobre-mansao-do-lula/

O milagre

garcuia

Um dos milagres desta eleição: a Globo ressuscitou Alexandre Garcia como comentarista de jornal da TV.
Garcia foi ressuscitado para anunciar no Jornal Hoje, das 13h, que o PT está definitivamente fora da eleição de 2018.
Alexandre Garcia é uma aparição. Estava morto e sepultado como jornalista de opinião da Globo há pelo menos uma década.
Reapareceu, devidamente embalsado, para avisar que Lula, e não ele, Garcia, está morto.
Se a Globo ressuscita até Alexandre Garcia para comentar a primeira eleição pós-golpe, tudo pode acontecer. E depois ainda falam mal dos milagres da igreja do Crivella.
(Garcia, para quem não sabe, foi porta-voz do governo Figueiredo. Na foto, ele ajeita o microfone para o patrão. A Globo ressuscitou um serviçal da ditadura para afrontar o Brasil pós-golpe)