AMIGUINHOS

Dia 26, tem Sergio Moro no Roda Viva, na TV Cultura. Anunciam que reunirão um time de primeira linha de entrevistadores para a despedida de Augusto Nunes como apresentador do programa. Nunes é o cara que há anos finge fazer perguntas para amigos tucanos.

Mais do que Sergio Moro, um simplório que pouco ou nada acrescenta à reflexão mais complexa, quero mesmo ver o comportamento da bancada de perguntadores.

Farão perguntas para o juiz, ou só levantarão a bola para sua retórica pobre de caçador de corruptos do PT.

O jornalismo hoje é mais amigo do Judiciário de exceção do que foi dos juízes e dos militares no tempo da ditadura.

Pergunte a estudantes de jornalismo o que eles acham da grande imprensa. Os mais desiludidos nem acham mais nada.

O TEMIDO TEXTO ROCOCÓ DE AUGUSTO NUNES

O militante tucano Augusto Nunes escreve na Veja online e tira sarro do diploma com erro que deram a Lula (mas se sabe que não é um documento oficial da Universidade Federal do Recôncavo Baiano).
Logo quem. Augusto Nunes foi o diretor de redação de Zero hora que mais deu trabalho aos revisores. Era diplomado em erros diversos.
Um texto de Augusto Nunes era um Deus-nos-acuda. Segura, pega, não baixa, cuidado, sai de perto, olha a vírgula!!! Textos de Augusto Nunes eram torpedos de adjetivos sem rumo e sem destino.
Os revisores faziam respiração boca a boca em sujeitos, verbos e predicados para tentar salvar os textos das mais tenebrosas mesóclises de Augusto Nunes. Nunca antes o jornal deu tantas correções por causa dos erros do seu diretor. Eu sei porque estava lá e via o desespero dos revisores.
Ele errava tudo, do português (que no caso dele é um rococó do século 19) até nomes, datas e informações banais. Todo mundo erra, claro. Mas ele era jogador do Grêmio batendo pênalti. Não acertava nunca.
Quando Augusto Nunes achava que acertava, os amigos dele comemoravam como se estivessem em programa de auditório. Ele tinha alguns amigos.

Dos álbuns da ditadura

augusto

Nunca estive muito perto dos ditadores pós-64, até porque sempre fui um jornalista de paróquia. Nas vezes em que tentei, quase me dei mal. Em 1978, no final do mandato, Geisel foi a Santo Ângelo e fez um discurso num coreto na praça.

Eu era correspondente da Caldas Júnior em Ijuí e tentei me aproximar do palanque. De repente, sem perceber a presença de um segurança, levei uma cotovelada na altura do estômago. Potente, mas curta, seca, quase não percebida por quem estava ali.

O homem, sem dizer nada, dava o recado: ninguém se aproxima de um general assim no mais. Enquanto tentava retomar o ar, vi que outros jornalistas de gravata, com certa intimidade, circulavam com desenvoltura além do limite estabelecido pelo segurança. Eram os amigos dos homens. E eu de jeans e tênis…

Em 1979, em “campanha” (acredite) para a presidência, Figueiredo foi a Ijuí e discursou em um CTG. Eu consegui sentar perto do candidato a ditador. Um assessor tentou me tirar dali, para (eu descobri depois) dar o lugar aos jornalistas íntimos dos homens. Como não levei cotovelada, resisti e mantive meu lugar.

Hoje, vejo esta foto de Figueiredo e me lembro daquele episódio. Não sei se entre os amigos que queriam ficar mais perto do general, lá no CTG de Ijuí, não estava o moço que aparece à direita, atrás de Figueiredo.

É ele mesmo, Augusto Nunes, o caçador de esquerdistas de Veja, o repórter que inventou Collor como caçador de marajás em uma das mais vergonhosas reportagens do jornalismo brasileiro.

Nunes tem pupilos fiéis no jornalismo gaúcho. Muitos estão bem perto dos homens que tomaram o poder no golpe que derrubou Dilma.