O CENTRO ACOVARDADO

Chama-se Centro Democrático o partido de direita que venceu a eleição na Colômbia com o candidato Iván Duque.
É estranho, mas não é tanto. No Brasil, um partido de direita se define como Progressista. Outro se anuncia há muito tempo como Democrata, para ser confundido com o partido americano que acolhe exatamente os setores progressistas. Mas aqui os democratas são a direita da direita.
A imitação do Podemos, que na Espanha é a marca da tentativa de renovação da esquerda, aqui é também direitista. O partido que se diz da social-democracia é igualmente liderado e sustentado pela direita.
E onde estariam hoje os políticos de fato de centro, remanescentes ou herdeiros daqueles que que ajudaram a conduzir a luta pela volta da democracia no Brasil?
Onde estão os políticos, os empresários e os juristas e os profissionais de formação dita liberal, que se se esconderam desde antes e depois do golpe, com raras exceções?
A direita engoliu o centro no Brasil. O centro se deixou ser devorado pelo reacionarismo. O avanço do fascismo e do Judiciário partidarizado (que estimula muito das aberrações que prosperam por aí) acabou com o centro.
Na Colômbia, no Brasil, na Argentina, em toda parte a direita dissimulada finge ser o centro que não existe mais ou se escondeu em algum canto, envergonhado com o próprio acovardamento.

(A charge é do Edu Oliveira)

Vila a Colômbia

Digamos que ficou mais difícil golpear também o colombiano Juan Manuel Santos depois desse Nobel.
A direita não pode ganhar todas. O Prêmio Nobel é mais importante do que qualquer gesto político de instituições internacionais, inclusive a ONU, onde até o homem do Jaburu faz discursos.
O Nobel abala toda a direita latino-americana e os cúmplices brasileiros (inclusive na imprensa) do golpista camuflado Álvaro Uribe.