O CINEASTA DOS MECANISMOS DA DIREITA

José Padilha, o cineasta da direita que usa os mecanismos do golpe para falsear a História, alterar falas e contar o que bem entende, vai dirigir um documentário sobre, acredite, a Lava-Jato.
Padilha acha que ainda há tempo para ganhar mais fama, mais bajulação dos reaças e mais dinheiro com a farsa de Curitiba.
Em algum momento ele terá de ouvir Gilmar Mendes, para que fale sobre a sua tese de que as prisões preventivas de Curitiba eram parte de um esquema de tortura que levava às delações.
Padilha, se fizer o que já fez, poderá inverter as falas e atribuir a frase de Mendes a Bolsonaro, e a autoria das torturas a Lula.
O moço é da mesma estirpe dos espertalhões das ‘artes’ gerados pela ditadura. Mas aqueles eram apenas prestadores de serviço, muitas vezes por convicção e sabujismo.
Morriam pobres, porque se contentavam com reconhecimento e tapas nas costas dos ditadores e de seus subalternos.
Padilha é de outros tempos, pensa na arte e no negócio. É o nosso cineasta empreendedor, que sabe aproveitar oportunidades.
Talvez acabe filmando o enterro da Lava-Jato.

Padilha

Mais um que salta fora do barco de Sergio Moro. José Padilha, o cineasta da direita, que ajudou a endeusar o ex-juiz, escreve essa frase retumbante em artigo na Folha:
“O descaso de Moro com dados que contrariam suas crenças é um exemplo do que chamo de desonestidade intelectual”.
O cara que manipulou fatos e frases para transformar Moro num Batman na série O Mecanismo agora fala em honestidade intelectual como se fizesse uma descoberta.
Padilha sabia com quem lidava e fez parte da propaganda morista-bolsonarista.
Pede pra ficar, Padilha.

PEDE PRA FICAR, PADILHA

José Padilha, o cineasta que ajudou a propagar o ódio contra o PT e contra Lula e a exaltar Sergio Moro como herói nacional, saltou fora. Escreveu na Folha para dizer que Moro é uma farsa.
Por que Padilha e outros escrevem só agora para dizer que fizeram essas descobertas, quando todo mundo sabe que eles já sabiam que Moro apenas fazia (e continua fazendo agora como bolsonarista) o jogo do antipetismo?
Que história é essa de descobrir agora que Moro vai proteger as milícias e que as milícias estão dentro do governo?
Por que Padilha, que sabe tudo de milícias, só pediu pra sair agora, quando a direita gostaria que ele pedisse pra ficar abraçado a Bolsonaro?
Por que abrir a boca quando todo mundo já sabe que os amigos dos milicianos detêm o poder compartilhado com Sergio Moro?
O que não deu certo nos planos de Zé Padilha?

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Este é o artigo:

O ministro antiFalcone

Pacote de Moro contra o crime vai fortalecer milícias

José Padilha

Sergio Moro sabe que:
1 – As milícias são organizações criminosas controladas por policiais civis e militares corruptos e violentos;
2 – Esses policiais utilizam o aparato do Estado, como armas, helicópteros e caveirões, para expulsar o tráfico e dominar as favelas;
3 – As milícias cobram por proteção e dominam atividades econômicas importantes nas áreas que controlam: distribuição de sinais de TV e de gás de cozinha e transporte alternativo;
4 – As milícias decidem quem faz propaganda eleitoral nas suas áreas e financiam campanhas políticas;
5 – Milicianos e políticos ligados a milicianos foram eleitos no Brasil para cargos legislativos e executivos em níveis municipal, estadual e federal.
Mesmo sabendo de tudo isso, o ministro Sergio Moro declarou que as milícias representam a mesma coisa que as facções criminosas dentro das prisões, sugerindo que esses grupos operam como o varejo do tráfico de drogas.
Ora, o leitor sabe que sempre apoiei a operação Lava Jato e que chamei Sergio Moro de “samurai ronin”, numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta. Pois bem, quero reconhecer o erro que cometi.
O ministro da Justiça, Sergio Moro, durante participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça) Fabrice Coffrini – 22.jan.2019/AFP
Digo isso porque não há outra explicação: Sergio Moro finge não saber o que é milícia porque perdeu sua independência e hoje trabalha para a família Bolsonaro. Flávio Bolsonaro não foi o senador mais votado em 74 das 76 seções eleitorais de Rio das Pedras por acaso…
O pacote anticrime que Sergio Moro enviou ao Congresso —embora razoável no que tange ao combate à corrupção corporativa e política— é absurdo no que se refere à luta contra as milícias. De fato, é um pacote pró-milícia, posto que facilita a violência policial.
Se Sergio Moro tivesse estudado os autos de resistência no Brasil teria descoberto que:
1 – Apenas no Rio de Janeiro, a cada seis horas, policiais em serviço matam alguém;
2 – A versão apresentada por esses policiais costuma ser a única fonte de informações nos inquéritos instaurados em delegacias para apurar os homicídios;
3 – Como policial tem fé pública, a sua versão embasa a excludente de ilicitude, evitando a prisão em flagrante;
4 – A Polícia Civil, além de raramente escutar testemunhas ou realizar perícias no local dos assassinatos, tem mania de desfazer as cenas do crime para prestar socorro às vítimas, apesar de a maioria delas morrer instantaneamente em decorrência de disparos no tórax;
5 – Desde 1969, quando o regime militar editou a ordem de serviço 803, que impede a prisão de policiais em caso de “auto de resistência”, apenas 2% dos casos são denunciados à Justiça e poucos chegam ao Tribunal do Júri.
Aprovado o pacote anticrime de Sergio Moro, esse número vai tender a zero. Isso porque o pacote prevê que, para justificar legitima defesa, bastará que o policial diga que estava sob “medo, surpresa ou violenta emoção” —ou, ainda, que realizava “ação para prevenir injusta e iminente agressão”.
O hábito que os policiais milicianos têm de plantar armas e drogas nos corpos de suas vítimas para justificar execuções é tão usual que deu origem a um jargão: todo bom miliciano carrega consigo um “kit bandido”. Aprovado o pacote de Moro, nem de “kit bandido” os milicianos precisarão mais.
Sergio Moro nunca sofreu atentados e nunca lidou com a máfia. Mas o juiz Giovanni Falcone, em quem o ministro diz se inspirar, foi morto aos 53 anos de idade na explosão de uma bomba colocada pela máfia em uma estrada. Sua mulher e três seguranças morreram com ele.
O crime foi uma reação da máfia à operação “Maxiprocesso”, que prendeu mais de 320 mafiosos na década de 1980. Ela deu origem à operação “Mãos Limpas”, que mostrou que a máfia elegia e controlava políticos importantes na Itália.
Ora, no contexto brasileiro, é obvio que o pacote anticrime de Moro vai estimular a violência policial, o crescimento das milícias e sua influência política. Sergio Moro foi de “samurai ronin” a “antiFalcone”. Seu pacote anticorrupção é, também, um pacote pró-máfia.

José Padilha

Cineasta, diretor dos filmes “Tropa de Elite” (2007) e “Tropa de Elite 2” (2010).

A desonestidade de Padilha

O artigo da escritora Antonia Pellegrino na Folha, em contraponto a outro artigo de José Padilha no mesmo espaço, é devastador sobre a série O Mecanismo. Antonia diz que Padilha pretende dar lições contra desonestos quando comete a desonestidade de subverter a realidade para que ela esteja de acordo com as intenções da sua ‘obra de arte’.

Aí está o artigo.

José Padilha não entendeu o mecanismo

Antonia Pellegrino*

O cineasta José Padilha tem uma missão: desvendar o mecanismo que não cessa em oferecer um imenso passado pela frente ao país do futuro. Seu método? “Uma obra de ficção inspirada livremente em eventos reais, onde personagens, situações e outros elementos foram adaptados para efeito dramático”.

Sua dissertação abre a série, na boca do personagem Ruffo: “O que fode o nosso país não é falta de educação, não é o sistema de saúde falido, não é o déficit público, nem a taxa de juros. O que fode nosso país é a causa de tudo isso. Descobri o que fode a vida de todos os brasileiros: um câncer. Se a gente não matar essa porra na raiz, vai espalhar”.

Cabe a Ruffo, vivido por Selton Mello, enfrentar o mecanismo por dentro. Mas graças a um surto diante do “erro” cometido pelo Ministério Público no engavetamento do Banestado —que na série acontece no governo Lula—, Ruffo é expelido do mecanismo. Mas não desiste.

Uma década depois, por fora do mecanismo, o personagem bipolar vai usar qualquer método para combatê-lo. Inclusive a violência, a intimidação e o microterrorismo. Mas a metodologia não interessa. Se for preciso misturar fatos, distorcer e caluniar para caber na tese do diretor, não tem problema. Afinal, a desonestidade é sempre dos outros.

Os métodos de Padilha, assim como os de Ruffo, não importam: são em nome de um bem maior (não escrevo contra ou em defesa de nenhum grupo; quem cometeu crime, que seja investigado e, se provado, que se puna).

No oitavo episódio, o câncer é identificado. O mecanismo se dá pela articulação entre empresas públicas, empreiteiras, operadores e agentes públicos. E a solução para a política está fora dela. Na Polícia Federal, no MP e no ex-policial outsider bipolar disposto a tudo para quebrar a engrenagem.

Tendo tido a chance de criar a grande e inovadora narrativa sobre corrupção no país, o cineasta acabou fazendo um clichê binário, digno dos padrões mentais dos milicianos da narrativa “contra tudo isso que está aí”. Mas com um agravante: manejando com excelência as ferramentas de Hollywood.

No esquema do diretor, MP e PF estão fora da política. Não faz diferença a mudança de posição desses órgãos em governos distintos. Toda política é demonizada, desde dom João. Qualquer político, agente público ou empresário honesto será inócuo ante a força autotélica do mecanismo. O que se desenrola na tela, ao som da canção “Juízo Final”, é a condenação da democracia representativa.

O “efeito dramático” que Padilha deixa de presente ao país onde não vive mais é o caminho aberto ao fascismo “livremente inspirado” na figura psicopata do ex-capitão do Exército que finge ser de fora da política e promete pôr a casa em ordem no grito e na arma.

Se a eleição fosse hoje e Bolsonaro se elegesse, pelo sistema de Padilha estaria tudo ótimo. O mecanismo poderia ser quebrado. Que outros métodos extrapolíticos valem para romper o mecanismo? Uma ditadura militar? Não creio que a intenção de José Padilha seja a defesa de candidato algum ou mesmo de uma ditadura, mas é isso que seu mecanismo acaba sugerindo.

Nas últimas semanas, o Brasil cruzou decisivamente a fronteira da democracia e adentrou a várzea da barbárie. É grave que, neste momento, quando todos estão convocados para a defesa da democracia, o iceberg conceitual por baixo do que aparece na série de José Padilha resulte em um panfleto fascista.

Enquanto Padilha faz sua pirotecnia, o real mecanismo, das oligarquias e do rentismo —que capturam o Estado e orçamento público para seus interesses—, agradece.

  • Antonia Pellegrino é ativista e fundadora do blog #AgoraÉQueSãoElas, hospedado pela Folha

 

Padilha põe o ovo

José Padilha escreve em longo artigo na Folha que sua série O Mecanismo é mais do que entretenimento, é uma tese muito educativa.
E apresenta, de forma esquemática, a sua tese em cinco enunciados (sic). Tudo para atacar as esquerdas.
O artigo do professor Padilha é um daqueles ovos de Páscoa que se quebram quando tocados. Tem casca fina, não tem nada dentro e não parece chocolate.
Padilha é o Sergio Moro do cinema. Mas, como se trata de Padilha, que põe frases do Jucá na boca do Lula e distorce a realidade para agradar a direita com suas teses, o artigo-ovo pode até não ser dele. Pode ser do ninho de algum tucano.

PADILHAGEM

Meu amigo Santiago, o Erico Verissimo da charge, escreveu hoje que José Padilha, o diretor da série sobre a Lava-Jato, é o equivalente no cinema pró-golpe ao que foram os cantores Dom e Ravel para a música pró-ditadura nos anos 70. São propagandistas de direita.

A dupla fazia versões “cívicas” do que seria o momento nacional de euforia (“eu te amo, meu Brasil, eu te amo”), e todo mundo cantava. Assim como Padilha faz agora em série para a TV a sua versão para a caçada da Lava-Jato de acordo com a visão dos golpistas.

Dom e Ravel eram mais ingênuos do que este Padilha que americanizou o cinema brasileiro e tenta contribuir para imbecilizar o país com personagens e falas trocadas, com o argumento de que faz ficção. Ele faz é propaganda para o golpe.

Pois falo disso porque lá por 1977 recebi na redação do jornal Correio Serrano, em Ijuí, um dos dois, o Dom ou o Ravel. Até hoje não me lembro quem era um e outro e não sei quem apareceu por lá, já decadente, para um show sem o companheiro de palco.

Mas podem me perguntar daqui a alguns que me lembrarei muito dos Padilhas, o do governo e o do cinema. O do cinema é o mais cínico, porque faz suas ‘obras’ com ao argumento de faz arte. Ele sabe bem o que faz. Faz pilantragem para enganar trouxas. Ou faz padilhagem mesmo.

Os mecanismos de Padilha

Nunca pensei em ver, não vi, nunca verei e lamento pelos que já viram e se arrependeram a tal série O Mecanismo sobre a Lava-Jato.
Também desisti de entender há muito tempo a fúria reacionária e rasa de José Padilha, o diretor da série.
Tudo que envolve a Lava-Jato nas ‘artes’ cheira a pilantragem (um dia quem sabe um delator nos conte quais são os mecanismos que geram tanto dinheiro e tanto interesse em financiar obras sobre os justiceiros de Curitiba. Tanto que não se sabe até hoje quem financiou A lei é para todos, o primeiro filme sobre os rapazes).
Eu só acreditaria numa série sobre caçada a corruptos se começasse contando qual foi o papel edificante do juiz Sergio Moro no caso Banestado.
Mas aí não sei se tem algum Padilha interessado.