Olívio na Fabico

 

Compartilho este aviso da professora Thais Furtado no Face Book: Queridos amigos, dia 4 de agosto, às 10h, na Fabico (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS), vamos fazer o lançamento da revista Sextante 2017/1, que tive o prazer de editar com meus alunos de Jornalismo. O jornalista Moisés Mendes entrevistará Olívio Dutra. É aberto ao público. Venham!

O aniversário do PT

Em janeiro de 2003, saí à procura dos fundadores do PT, dos que assinaram a ata da reunião do dia 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo. E escrevi sobre suas lembranças de um projeto que estava chegando ao poder com a posse de Lula.

Olívio Dutra era um dos 12 que assinaram a ata e o manifesto de criação do PT. O outro gaúcho era Lourin Martinho dos Santos, líder dos operários da construção civil, que não fez carreira política. Localizei a maioria dos fundadores pelo telefone – quase todos militantes do sindicalismo urbano ou rural.

Contei essa história quando o PT fazia 23 anos e muitos de seus líderes ainda arrastavam sandálias. Hoje, o partido faz 37 anos sob ataques de todo lado. Dentro e fora de casa. Nenhum outro partido, nem o Partidão, se açoitou tanto na história brasileira.

A idade do PT é a de quem sabe que já deveria ter vencido indecisões, mas que às vezes não se reconhece na trajetória percorrida e vacila quanto à própria maturidade. Reavaliar-se é um mérito do partido, coisa que a direita, sem lastro teórico no Brasil que a sustente como ideia, nunca conseguiu fazer.

Não fui e não sou ligado ao PT. Mas sei que um partido com seu perfil merece ser salvo do inchaço, dos pragmatismos às vezes oportunistas e às vezes ingênuos, dos descaminhos dos que se corromperam, dos erros como governo e da ilusão fatal de que poderia sentar-se com os que um dia iriam comandar o golpe. Os petistas e as esquerdas superestimaram a capacidade da direita de aceitar derrotas e se submeter à democracia.

Nomes que conseguiram preservar suas histórias e suas reputações merecem, por obstinação, perseguir uma nova chance para o PT. Coisa que PSDB e PMDB, tatuados como golpistas, não merecem mais.

A ética corporativa

Muitos acham que a Ford vai indenizar o Estado, 16 anos depois, porque tal fato é resultado de uma batalha jurídica. É mais do que isso. O que se travou nesse caso foi também uma batalha moral.

A Ford só vai devolver o dinheiro ao Estado porque foi obrigada pela Justiça, sob pressão de uma ação do próprio Estado. Se não fosse assim, seria dona do dinheiro dos gaúchos para sempre, na maior cara dura.

A Ford embolsou o dinheiro, no governo de Antônio Britto, em 1998, foi embora para a Bahia e só vai devolver R$ 216 milhões porque o governo de Olívio Dutra cobrou, em 2000, a “doação” pela fábrica que acabou não saindo.

Eu gostaria de ler o código de ética da Ford (gosto muito da retórica refinada dos códigos de ética corporativos) para saber o que está escrito.

Entrei no site da Ford no Brasil e não achei nada que me levasse ao código de ética da empresa no país. Por ser curioso, perdi meu tempo e acabei sem mais uma lição de ética.