TUDO ACERTADO

A Lava-Jato poupou Paulo Guedes, o consultor que fazia pagamentos a um escritório de fachada. É a nova denúncia da Folha.
Guedes tinha ligação com laranjas que lavavam dinheiro no esquema de distribuição de propinas dos tucanos do Paraná.
Por que a Lava-Jato não denunciou Guedes?
A Folha diz o óbvio. Na época da denúncia do esquema, que chegou à Lava-Jato, Guedes já era o homem forte na pré-campanha de Bolsonaro.
E Sergio Moro já estava acertado com Bolsonaro. Todo mundo sabe que Guedes foi o negociador desse acerto.
Hoje, Guedes comanda o espetáculo da reforma da previdência, que terá seu grande momento com a fraude da capitalização e a farra dos bancos, Moro mantém seu silêncio obsequioso em relação aos milicianos, e Lula está encarcerado em Curitiba.

(Aqui está o link)

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/08/lava-jato-ignorou-repasse-de-guedes-em-denuncia-contra-empresa-de-fachada.shtml

O DEBOCHE DE PAULO GUEDES

A solução que o ministro da Economia imagina para a vidinha dele, complicada, tediosa e sem dinheiro, é a cara deslavada da elite direitosa que quebrou o Brasil.
Se a reforma da previdência não der certo, o que ele fará?
“Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar”.
É o deboche que o país merece pela conivência com Bolsonaro, com os filhos de Bolsonaro, com as milícias, com a turma de Paulo Guedes, com os golpistas de agosto de 2016, com os que mentem que estudaram em Harvard ou que leram biografias.
Então Paulo Guedes, o cara enredado nas movimentações bilionárias dos fundos de pensão, depende de uma aposentadoria?
O Brasil merece que Paulo Guedes deboche até dos que dependem mesmo de uma aposentadoria mínima para que tenham uma sobrevida. Merece.
Merecemos a Damares, o Salles do desmatamento, a ministra da Agricultura dos venenos, o Abraham destruidor de universidades.
O Brasil merece um ministro da Justiça que defende os cigarros. Merecemos mais do que isso. O Brasil já está merecendo até um golpe.

Guedes e o rolo nos fundos de pensão

Reportagem da Folha de hoje:

Guedes foi fiador de empresa de prateleira, segundo Procuradoria em Brasília

Investigadores estimam que negócio levou à perda de R$ 22 milhões a fundos de pensão de estatais

Fábio Fabrini

BRASÍLIA

Documentos de fundos de pensão, sob análise do MPF (Ministério Público Federal) em Brasília, mostram que o ministro da Economia, Paulo Guedes, atuou como uma espécie de fiador de negócios suspeitos de fraude, feitos por uma de suas empresas com entidades de previdência patrocinadas por estatais.

Pelos relatórios da Funcef, fundação previdenciária dos empregados da Caixa, a experiência de Guedes compensaria a falta de segurança e de garantias dos investimentos.

O ministro é descrito como pessoa-chave no controle da destinação dos recursos. Caberia a ele, segundo os documentos, “participar ativamente das estratégias de investimento e desinvestimento”.

Guedes é alvo de três investigações, na Polícia Federal e na Procuradoria da República no Distrito Federal, para apurar indícios de gestão fraudulenta ou temerária ao captar e aplicar, a partir de 2009, R$ 1 bilhão de sete fundos de pensão.

Além da Funcef. estão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Postalis (Correios). O dinheiro foi aportado nos fundos de investimento em participações (FIPs) BR Educacional e Brasil de Governança Corporativa, por ele criados, e usado em projetos diversos.

Como noticiou a Folha em outubro, a suspeita é que transações com eles geraram ganhos excessivos para Guedes, em detrimento das entidades que injetaram o dinheiro, responsáveis pela aposentadoria complementar de milhares de empregados das estatais.

Na época, elas eram capitaneadas por executivos ligados ao PT e ao MDB. Para administrar os recursos, Guedes criou a BR Educacional Gestora de Ativos.

Segundo as investigações, apesar da alta cifra captada, a empresa não tinha experiência, tendo, em 2009, obtido recentemente autorização da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para operar.

Além disso, a primeira empresa a receber investimentos, a BR Educação Executiva S.A., era, segundo investigadores, “de prateleira”.

Havia sido criada em abril de 2009 por um escritório de advocacia especializado em vender CNPJs. Constavam como sócios dois funcionários da banca, que são responsáveis por várias outras firmas.

Pelas investigações em curso, a empresa recebeu R$ 62,5 milhões do FIP BR Educacional. Não tinha patrimônio líquido, histórico de faturamento ou qualquer outra garantia.

A BR Educação Executiva teve o nome alterado para HSM. Guedes atuou nas duas pontas do negócio. Foi presidente do conselho administrativo da empresa, que recebeu recursos dos fundos de pensão. Ao mesmo tempo, era sócio majoritário da gestora, que decidia o destino do dinheiro.

Para os investigadores, esse duplo papel pode configurar um conflito de interesses. Guedes foi intimado a depor na Procuradoria duas vezes, mas as oitivas foram desmarcadas pelos investigadores na primeira ocasião e pelo ministro na segunda. Ele alegou problemas de saúde.

Em petição enviada à força-tarefa Greenfield —grupo de procuradores responsável pelo caso—, a defesa de Guedes disse que ele “não detinha participação na operacionalização cotidiana dos investimentos em questão, à qual cabia às equipes técnicas da gestora”.

O roteiro do investimento de R$ 62,5 milhões, iniciado em 2009, terminou em 2015 com prejuízo de R$ 22 milhões aos fundos de pensão (valores atualizados pela Selic, a taxa básica de juros da economia), de acordo com a força-tarefa.

O valor inicialmente aportado foi usado para comprar a empresa HSM do Brasil, voltada a cursos e palestras para executivos. O pagamento foi feito a um grupo com sede em Delaware, paraíso fiscal dos Estados Unidos.

Do total investido, R$ 50,2 milhões foram pagos como ágio sobre as ações por se tratar da compra de uma marca.

Em 2011, dois anos após o desembolso, um documento da empresa registrou que esse mesmo ativo, a marca, valia cerca de 10% do que fora pago (R$ 5,1 milhões). Para os técnicos que auxiliam a força-tarefa, a desvalorização é um item fundamental.

De 2012 a 2013, parte das ações da HSM foi vendida e parte trocada por participação na Gaec Educação. Na ocasião, segundo documentos, a empresa tinha alto endividamento e risco de insolvência.

Os investigadores sustentam que o fundo administrado por Guedes pagou valor bem mais alto do que outros acionistas pelas ações na Gaec. Foram vendidas de 2013 a 2015, resultando no prejuízo estimado de R$ 22 milhões.

A Procuradoria também investiga o FIP Governança Corporativa, que aplicou em 2010 R$ 112,5 milhões em um grupo de infraestrutura, a Enesa. O negócio, concluído em 2018, deu perda total às entidades.

No início de 2018, um laudo constatou que a Enesa havia perdido o valor de mercado e o FIP de Guedes vendeu por simbólicos R$ 100 mil as ações que havia adquirido por R$ 112,5 milhões.

………………..

Defesa de ministro diz que negócios são legais e lucrativos

OUTRO LADO

A defesa de Paulo Guedes reafirmou “a legalidade e a correção de todos os investimentos dos fundos que, diga-se de passagem, têm sido lucrativos aos cotistas, incluindo os fundos de pensão”.

Em nota, os advogados do ministro, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, informaram que foi apresentada ao Ministério Público Federal “vasta documentação e petição comprovando a diligência, a lisura e a lucratividade dos investimentos”. “O ministro, aliás, se colocou à disposição dos órgãos investigatórios.”

A Gaec disse que “apenas a partir de 23 de março de 2013”, assumiu o controle da HSM, “instituição de educação corporativa brasileira que promove a HSM Expo, maior evento de educação corporativa da América Latina”. Procurada, a Enesa não se pronunciou.

 

A direita enredada

A sensação geral, com a atrapalhação de Bolsonaro e seus ministros, é de que a direita não sabe fazer o que deseja fazer. Deseja favorecer os de sempre e conspirar contra os interesses da maioria, mas não sabe como levar adiante seus planos e como falar deles em público.
É assim em todos os níveis de governo tomados pela direita ou pela extrema direita.
Percebe-se que eles não se prepararam para gerir um carrinho de pipoca, com todo respeito aos pipoqueiros.
No Brasil, no Estado, na prefeitura de Porto Alegre o que se vê é que ninguém domina nada. A direita quer vender patrimônio público, se desfazer, liquidar, movimentar negócios.
Mas nas entrevistas o que prevalece é a enrolação e às vezes a empostação de voz para compensar a falta de argumentos. Falam grosso para não dizer nada. As frases são repetitivas e sem sentido, a soberba é vazia.
Fica evidente que os gestores da direita, incluindo Bolsonaro, o governador que tomou posse, o prefeito que simula administrar Porto Alegre, todos eles entram em sofrimento quando precisam explicar algo.
Bolsonaro não sabe o que é IOF, nunca estudou a reforma da previdência. Bolsonaro pensa que Onyx sabe, mas Onyx acha que Paulo Guedes é quem deve saber. E Paulo Guedes sabe o que o mercado deseja que ele fique sabendo.
A democracia, já dizem os sábios, nem sempre leva à escolha dos melhores e por isso tem a virtude de ser imperfeita.
Desta vez, a democracia parece ter levado à escolha dos piores e mais atrapalhados.

Guru

O economista Paulo Guedes, guru de Bolsonaro, diz em entrevista à Folha que empresários não se corrompem entre si. Eles só se corrompem porque há políticos, há Estado, setor público.
Se privatizar tudo, chegaremos ao fim da corrupção. Porque um empresário não engana e não tenta comprar o outro.
É o que ele diz na Folha. Guedes é cotado para ser ministro da Fazenda de Bolsonaro.
Poucas vezes um sujeito metido a liberal disse tantas besteiras como ele diz nesta entrevista.
Há desprezo pela capacidade de discernimento de leitores e eleitores (o que é moda entre a direita).
É vergonhoso até para outros que se dizem liberais.