O PALESTRANTE DESMASCARADO

Foi desmontada a farsa das palestras com fins filantrópicos de Deltan Dallagnol, o procurador sem escrúpulos.
A Folha e o Intercept fizeram um levantamento completo das atividades do palestrante desde 2015. Dallagnol arrecadou, desde o início da Lava-Jato, mais de R$ 1 milhão.
Só destinou uma parte a entidades nos primeiros eventos. Depois, se deu conta de que poderia ficar rico e passou a esconder da corregedoria do Ministério Público o que arrecadava.
Escondia até os nomes das empresas. E ficava com todo o dinheiro.
Dallagnol disse esses dias a jornalistas amigos, entre os quais Diogo Mainardi, o homem-mosca, que só dorme tomando remédio.
Imaginem quando tiver de dormir num beliche de concreto por causa dos conluios da Lava-Jato para encarcerar Lula.
Precisamos imaginar que um dia isso acontecerá, porque as leis são para todos, dizem eles, Dallagnol e Sergio Moro.
Acordei otimista hoje. Tão otimista que vou dar um viva para Emmanuel Macron.
Viva Emmanuel Macron. Viva a França. Viva a Amazônia.

VAI LÁ, DALLAGNOL

Deltan Dallagnol poderá virar chefe da Procuradoria-Geral da República. Se Sergio Moro rejeitava Bolsonaro até em aeroportos (tem aquela famosa cena em que ele se recusa a cumprimentar o sujeito) e virou ministro da Justiça, agora pode ser a vez de Dallagnol.

Em 2016, o procurador se negou a ir a um evento em que receberia um lindo prêmio ao lado de Bolsonaro e do que ele definia como “outros radicais de direita”, como mostram mensagens reveladas hoje pelo UOL, do grupo Folha. Bolsonaro seria um perigo para a imagem do procurador isentão.

Dallagnol sabe que Moro também esnobava Bolsonaro, para sugerir independência, e virou ministro. E que só sobrevive hoje graças à proteção do ex-esnobado.

Sem Bolsonaro, Moro estaria na sarjeta, abandonado que foi pela grande imprensa e pelos empresários.

Resta a Sergio Moro buscar refúgio nos juristas evangélicos e na base bolsonarista. Moro é hoje dependente do lastro político que se sustenta na retórica e nas ações dos milicianos.

Dallagnol, que ontem foi cercado por todos os lados pelo Conselho Nacional do Ministério Público, tem a chance de se aproximar de Bolsonaro e tentar se salvar. O próprio Bolsonaro o chamou para uma conversa sobre a vaga que será aberta com o fim do mandato de Raquel Dodge.

É só dar uma explicação qualquer sobre a decisão de não estar ao seu lado na festa de uma entidade da direita.
Moro, para se desculpar do episódio no aeroporto, quando deixou Bolsonaro sem saber o que fazer, disse que não o reconheceu.

Dallagnol pode dizer que mudou muito e que não é mais, como Bolsonaro disse esses dias, um esquerdista infiltrado na Lava-Jato de Sergio Moro.

Vai lá, Dallagnol. Faz um powerpoint explicando tuas posições. Reencontra a tua turma, Dallagnol.

O nome dela é Thaméa

Thaméa Danelon parece o nome artístico de alguém que pretende ser um dia uma imitação grosseira da Kim Kardashian da Sicília.
As fotos de Thaméa Danelon sem maquiagem. Os perfumes preferidos de Thaméa. Thaméa revela seu lado espiritualizado e diz o que pensa da vida depois da morte.
Poderia ser também a personagem de uma série. O mundo das picantes mensagens secretas de Thaméa Danelon.
E pode ser um nome inventado pela mente brilhante e sempre surpreendente de Deltan Dallagnol, o procurador sem escrúpulos.
Mas é, singelamente, apenas o nome de uma laranja.

FALE, RAQUEL DODGE

Deltan Dallagnol, o procurador sem escrúpulos, oferece mais argumentos para que sua chefia saia do silêncio. As mensagens que o site do El País divulgou hoje, com ataques e comentários depreciativos de Dallagnol à procuradora, tirariam qualquer liderança do sério e do imobilismo.

Saberemos logo se irão abalar o silêncio obsequioso de Raquel Dodge, a procuradora que até hoje nada comenta sobre nada, que aguarda um sinal de que Bolsonaro pode passar a cortejá-la para a recondução à Procuradoria-Geral da República e que se mostra incapaz de arbitrar, por prerrogativa, por liderança, por imposição hierárquica, as ações da sua turma em Curitiba.

Dallagnol diz nas mensagens que não confia na chefe, porque ela atrasa acordos de delação. Sente saudade de Rodrigo Janot. Planeja (talvez tenha feito) usar a tática de plantar notícias na imprensa contra a procuradora. E estimula os colegas a debocharem da autoridade que deveria chefiá-los.

Dallagnol sempre teve pressa para agir contra Lula, e Raquel parecia não acompanhar o ritmo da força-tarefa. A procuradora não irá gostar de ler o que El País publica.

Raquel Dodge teve um encontro recente com Dallagnol e mandou recados à imprensa, dizendo que ainda confia no subalterno. Com as mensagens divulgadas agora, pode continuar afirmando a mesma coisa, o que não causaria nenhuma surpresa.

Curitiba era e talvez ainda seja um ninho de cobras. Está claro nas mensagens anteriores, também divulgadas, pelo El País, que Dallagnol não tinha a confiança de muitos procuradores.

Alguns deles demonstravam constrangimento com as atitudes de quem deveria ser o chefe da força-tarefa (sabemos agora que o chefe de fato era Sergio Moro), principalmente pela avidez com que Dallagnol tratava as conversas sobre palestras pagas.

Os procuradores desconfiavam de Dallagnol, que desconfiava de Raquel, envolvida, segundo ele, numa aproximação demasiada com Gilmar Mendes, para quem sabe virar ministra do Supremo.

Lembremos que Dallagnol não teve o apoio de Raquel para abocanhar os R$ 2,5 bilhões da Petrobras que seriam destinados à fundação que, dizia ele, iria ajudar no combate à corrupção. Até hoje essa história não foi bem contada.

Com as novas mensagens, Raquel Dodge terá de falar, ou prolongará um silêncio que retumba em Brasília e poderá consumir o que resta da sua autoridade.

ABRAM TODAS AS CAIXAS DA LAVA-JATO

A pergunta que retumba desde ontem é esta: a Polícia Federal irá se livrar dos constrangimentos criados por Sergio Moro e finalmente investigar, com destemor e autonomia, os conteúdos das mensagens da Lava-Jato?
A PF tem agora farto material a ser analisado. Qualquer aprendiz de jurista diz e todo o Brasil já sabe que investigações não devem se limitar ao delito cometido por invasores ou ladrões, nos casos de celulares, computadores, carros, casas ou empresas.
O Código de Processo Penal determina que tudo seja investigado, o ladrão, a vítima, as circunstâncias, as motivações e o conteúdo do roubo.
Se não fosse assim, poderíamos dar esse exemplo bem infantil, para crianças e adolescentes. Ladrões assaltam a casa de uma alta autoridade e furtam o que há lá dentro. A polícia encontra o objeto do furto. São caixas com um pó branco.
Se fosse fazer o que a PF está fazendo desde o início dos vazamentos de mensagens, os ladrões seriam presos e o pó branco poderia até ser devolvido, sem análise, aos donos.
A alegação seria que a polícia estava investigando o furto, não o conteúdo do furto. E que a vítima era uma alta autoridade.
É desculpa para bolsonaristas. A PF pode agir de ofício, por conta própria, e investigar o que há nas caixas da Lava-Jato. Mas a PF é chefiada por Sergio Moro, o dono do que foi furtado.
Está todo mundo quieto, com raras exceções, diante do silêncio em relação às investigações que já deveriam estar sendo feitas. A PF não vai analisar o que foi apreendido? O Ministério Público também ficará em silêncio e acovardado?
O Brasil quer saber bem mais do que já sabe sobre os hackers de Araraquara que reuniam até filiado do PFL. Os juristas ditos liberais devem cobrar que a ação da polícia vá mais adiante. Vamos abrir as caixas putrefatas da Lava-Jato.

DALLAGNOL CONTINUARÁ MUITO POBRE

Deltan Dallagnol vai continuar procurador, vai manter suas palestras (agora gratuitas), será aplaudido no avião, passará a mão na cabeça das crianças no shopping e um dia poderá almejar até a chefia da Procuradoria-Geral da República. Poderá. Tudo é possível.

Mas por um bom tempo Dallagnol terá de desistir de ser um homem rico ou gestor de fundos bilionários. Por um descuido da sua soberba, o procurador perdeu a chance de cuidar de uma fundação com os R$ 2,5 bilhões da Petrobras. E agora perde, pela mania de escrever mensagens sobre seus sonhos, o plano de arrecadação de grana pesada com suas palestras mágicas.

O Intercept pode não ter destruído a carreira do procurador, porque o corporativismo irá salvá-lo, mas nunca mais Dallagnol poderá sonhar com a arrecadação de até R$ 400 mil por ano, ou 400k, como ele dizia nas mensagens que enviava à esposa.

Dallagnol nunca mais poderá juntar dinheiro com suas falas rasas de autoajuda em que misturava moralismo e religiosidade. Acabou-se o plano do Dallagnol empreendedor.

Dallagnol nunca mais irá estabelecer metas, passar seus planos à própria mulher e aos colegas sócios das suas ideias, nunca mais poderá imaginar-se dono de uma empresa com fachada de entidade filantrópica.

Pulverizou-se o Dallagnol que se apresentava como um altruísta, mas queria ganhar dinheiro com a fama conseguida pela Lava-Jato.

A ambição desmedida do procurador o consumiu. Ele terá de descobrir outra forma de ganhar dinheiro fora da sua atividade como procurador, ou continuará pobre de marré marré com seu salário de apenas R$ 33.689,11 por mês.

Mas como desenhou o chargista Montanaro, da Folha, Dallagnol poderá então se dedicar a um plano B. E o plano B pode ser a criação de uma igreja em que ele passará a recolher o dízimo.

Um lugar para atrair fieis eles já têm há muito tempo. É o templo do total respeito às leis, à serenidade, ao bom senso e à moralidade com sede em Curitiba.

É o templo das delações e das rezas da Lava-Jato. Que as beatas do bolsonarismo os sustentem.

PROVAS AO MAR

Deltan Dallagnol diz em entrevista ao Estadão que se desfez do Telegram, e assim eliminou mensagens trocadas na Lava-Jato, por orientação da Polícia Federal.
Isso é o que diz o procurador ao responder sobre a decisão de não entregar seu celular para a perícia da PF:
“A Polícia Federal entendeu que isso não contribuiria para as investigações porque a atividade criminosa atingiu as contas mantidas no Telegram, na internet, e não no aparelho. Antes da divulgação das mensagens atribuídas a mim e a outros procuradores, eu encerrei a conta no Telegram e troquei meu aparelho, seguindo as orientações da própria Polícia Federal para proteger as investigações em curso e a minha segurança pessoal”.
A Polícia Federal deveria confirmar se orientou mesmo um procurador a se livrar de conteúdos que poderiam ser usados como prova.
Ao se desfazer do Telegram e eliminar dados, o procurador não corre o risco de ter suas mensagens arquivadas comparadas às que estão sendo divulgadas há um mês pelo Intercept e pela Folha.
Num caso normal, seria como jogar ao mar algo que poderia contribuir para a obtenção de indícios que comprovem a materialização de um delito.
Até porque muitos juristas afirmam e reafirmam que a PF deveria, sim, investigar não só a história do hacker, mas se há crime no conteúdo das mensagens que foram vazadas com as conversas em que Moro dá ordens a Dallagnol como chefe de fato da Lava-Jato.
Está no Código de Processo Penal, artigo 6º, inciso III, conforme já foi noticiado várias vezes:
“Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: (…) colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias”.
A PF, segundo Dallagnol, fez o contrário e mandou que ele se desfizesse das provas. É grave.
Curitiba não tem mar. Mas a Lava-Jato tinha e tem águas profundas à sua disposição.

A HORA DA RENÚNCIA

Advogados medianos poderão anular muito do que a Lava-Jato fez desde o começo, a partir dos vazamentos das conversas vergonhosas de Moro e Dallagnol.
Um juiz agia como polícia e acusador, em conluio com um procurador. Contribuiu com sua ação para o golpe contra uma presidente eleita.
Conseguiu condenar e encarcerar o principal líder da oposição. E virou ministro da Justiça do eleito da extrema direita.
É caso para corte internacional, se não for decidido pelo próprio Judiciário brasileiro.
Se o Judiciário não souber lidar com esse caso, todo o sistema de Justiça estará irremediavelmente desmoralizado.
Sergio Moro renuncia ou irá penar pelos próximos dias como o zumbi da Lava-Jato dentro do governo.

O CINISMO DA LAVA-JATO

A Lava-Jato de Moro e Dallagnol grampeou uma presidente da República e divulgou a conversa dela com um ex-presidente.
Vazaram a conversa para a Globo, segundo Moro, porque o interesse público estava acima do direito de Dilma e Lula à privacidade.
O argumento era este: o Brasil precisava saber que Dilma estava nomeando Lula para a Casa Civil.
Pois agora Moro e Dallagnol são vítimas do próprio método. As conversas entre os dois, vazadas para o Intercept, revelam delitos graves. O público tem o direito de ficar sabendo?
E o que diz então a Lava-Jato que grampeou a presidente da República?
Diz isso em nota oficial emitida hoje:
“A violação criminosa das comunicações de autoridades constituídas é uma grave e ilícita afronta ao Estado”.
Foi o que Sergio Moro fez com Dilma e que o ministro Teori Zavascki classificou como delito grave. Moro violou as comunicações da mais alta autoridade constituída do país. Com ele não aconteceu nada.
Mas ele ajudou no golpe que derrubou Dilma, condenou e encarcerou Lula e virou ministro da Justiça de Bolsonaro.
Teori está morto. O cinismo da Lava-Jato está vivo.

A PONTA DA LÍNGUA DE DALLAGNOL

Um trecho das conversas vazadas hoje para o Intercept entre Deltan Dallagnol, o juiz Sergio Moro e outros integrantes da força tarefa da Lava-Jato mostra que o procurador estava indeciso sobre a acusação contra Lula no caso do tríplex.
Dallagnol não acreditava nas provas e não tinha convicções. Mas foi adiante.
Essa foi uma barbeiragem do processo sempre apontada por juristas que consideram que não há nenhuma relação entre o caso do tríplex e as denúncias envolvendo a Petrobras.
Veja o que Dallagnol escreveu na época em uma das mensagens vazadas agora para o Intercept:
“Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua”.
Sabe-se que a ponta da língua de Dallagnol produziu, entre outras coisas, o famoso e constrangedor powerpoint com as bolinhas azuis…
Foi quando um colega de Dallagnol admitiu publicamente que tudo o que eles tinham era convicção.
Descobrimos agora que eles não tinham nem provas nem convicções.